Foco no trabalho em campo e planejamento operacional detalhado são essenciais para elevar a produtividade, reduzir desperdícios e garantir o cumprimento de prazos e custos na construção civil.
No canteiro de obras, uma equipe se reúne ao redor do quadro de planejamento, discutindo, dessa maneira, cada etapa do serviço com atenção aos detalhes. O engenheiro, atento às necessidades do dia a dia, propõe pequenas mudanças na organização das tarefas, enquanto o mestre de obras compartilha sua experiência para evitar retrabalhos e desperdícios.
Aos poucos, a colaboração entre gestores e operários transforma a rotina: materiais chegam na hora certa, ferramentas estão sempre à mão e cada profissional sabe exatamente o que precisa entregar ao final do turno. O resultado aparece não só nos números, mas também no clima de confiança e engajamento, mostrando, assim, que produtividade é construída com diálogo, método e cuidado com as pessoas.
Quer saber como aplicar o planejamento detalhado e as práticas lean para transformar a produtividade da sua obra? Continue lendo a coluna de Flávio Picchi e aprofunde-se em estratégias que fazem a diferença no canteiro e nos resultados do seu negócio.
Índices de produtividade com planejamento detalhado
A construção, pela natureza da produção por projetos, exige um planejamento detalhado, uma vez que lida com empreendimentos complexos e únicos. Como consequência, o plano macro da obra sempre está no topo das preocupações dos gestores.
O problema é que os empreiteiros, muitas vezes, assumem o planejamento operacional, relacionado aos detalhes de como executar cada serviço no dia a dia: quantas pessoas aloca-se em cada frente, como distribuir o trabalho e qual a melhor sequência – são exemplos de decisões que os encarregados tomam, com base em sua experiência, mas sem nenhum método de otimização.
Se observarmos atentamente uma tarefa sendo feita, percebemos uma série de desperdícios, por exemplo: paradas e esperas. Com isso, muitas obras atrasam ou estouram os custos porque as equipes não atingem os índices de produtividade previstos nos orçamentos e planejamentos. E – veja bem – são médias que embutem todos esses desperdícios.
Produtividade em campo
A única forma de melhorar a produtividade real em campo é ‘mergulhar’ no cotidiano de trabalho e entender como as equipes o realizam. Ajudando, dessa forma, as empresas a atingirem e superarem esses índices.
Particularmente, em um cenário de escassez de mão de obra, isso é fundamental para se obter uma equação financeira sustentável. Tanto para a construtora, que tem custos pressionados, quanto para o empreiteiro, que precisa sobreviver, e para os profissionais, que visam obter um ganho mensal adequado.
Muitos engenheiros, hoje em dia, limitam-se ao papel de administradores de contratos de empreiteiros e, assim, perdem a conexão com a forma como o trabalho é realizado. É preciso que as equipes de gestão – engenheiros, mestres, encarregados, técnicos etc. – sejam capacitados para realizar um planejamento micro. Ou seja, algo que traga elevado desempenho nas tarefas, para atingir e superar o que é exigido no macro.
Como isso pode ser feito?
Antes mesmo de iniciar um serviço, é preciso checar quais são as condições necessárias e providenciar que tudo ocorra a tempo. Afinal, deve-se, por exemplo, responder qual equipe é necessária para o ritmo planejado.
Nesse sentido, uma simples checagem da quantidade de pessoas e prazos, muitas vezes, já mostra erros no dimensionamento. Além disso, há outras questões importantes: a empresa está contratando empreiteiros, equipamentos e materiais? A equipe já definiu os detalhes do projeto? Por fim, a equipe já garantiu a estabilidade básica, assunto da coluna anterior?
De fato, a equipe precisa definir em detalhes como realizará o trabalho para alcançar maior produtividade. Não basta dizer para o empreiteiro: “você tem uma semana para fazer o revestimento deste pavimento”.
Precisamos apoiá-lo com ferramentas lean, detalhar como a equipe deve executar o trabalho e responder a várias questões:
– Quais produtividades otimizadas e factíveis podemos adotar considerando a eliminação de desperdícios mais evidentes?
– Qual sequência a equipe deve adotar e como distribuir as tarefas entre os profissionais?
– O que se deve completar a cada dia e em quais locais?
– Como distribuir os materiais e disponibilizar as ferramentas e equipamentos para minimizar os deslocamentos desnecessários?
– Quais cuidados de qualidade, segurança e meio ambiente a equipe precisa adotar?
Sistema Lean de Trabalho Padronizado (TP)
Podemos reunir e expor visualmente todas essas definições nos pavimentos para as equipes, no que chamamos de “Sistema Lean de Trabalho Padronizado (TP)”, que é específico para cada obra e registra as respostas a todas as perguntas citadas anteriormente.
Os TPs complementam e vão além dos procedimentos de execução, típicos de certificações de gestão da qualidade, que definem aspectos técnicos, enquanto os TPs detalham a movimentação dos profissionais envolvidos. As equipes devem realizar tudo isso em colaboração com os empreiteiros, que conhecem os detalhes de como executam o serviço e de como surgem os problemas práticos.
A equação dos detalhes
Uma vez que se inicia o trabalho, é bem provável que não se atinja essa produtividade ideal de imediato. É preciso observar onde estão as dificuldades, resolver os problemas e melhorar as condições. O planejamento e o controle diário são indispensáveis para identificar as causas de qualquer desvio e, assim, corrigi-las rapidamente.
Tive a oportunidade de participar de diversos estudos e implementações desse tipo. Muitas equipes conseguem aumentar a produtividade em cerca de 30% ao adotar práticas de planejamento detalhado e melhoria contínua. Imagine o fôlego que isso traz para a equação: “custos e prazos da obra, versus preços do empreiteiro e número de profissionais necessários”. Como dizem: “o diabo está nos detalhes”.
São os inúmeros problemas nas frentes de serviço que fazem com que as equipes quase nunca alcancem o planejamento macro exigido. Por isso, precisamos de planejamento, controle, ajuste e melhorias micro para cada um dos principais serviços.
Clique aqui e acompanhe a coluna de Flávio Picchi e descubra como a aplicação de métodos lean pode transformar a produtividade e a gestão de obras no seu dia a dia. Fique por dentro das melhores práticas para inovar e alcançar resultados consistentes na construção civil.
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Por Flávio Picchi, Senior Advisor do Lean Institute Brasil (LIB).
