Descubra como a governança da inovação impulsiona resultados concretos e diferencia empresas no setor da construção civil. Confira na nova coluna de Shirlei D’Amico, Shirlei D’Amico, Head of Innovation no Grupo HTB.
O maior desafio da inovação na construção civil é decidir com clareza quais iniciativas realmente devem avançar. Ou seja, em que ordem, com base em quais critérios e de que forma elas devem ser conduzidas até gerar resultado para o negócio.
Sem essa estratégia, a cultura da inovação não é incorporada na cultura organizacional e acaba ficando opcional e não acontece. As iniciativas se dispersam, os investimentos se fragmentam e a empresa corre o risco de digitalizar esforços sem relevância estratégica.
Por isso, falar de inovação hoje exige falar de governança. Governança é o que permite transformar intenção em prioridade, prioridade em projeto e projeto em valor entregue.
À medida que o setor amadurece sua agenda de transformação, cresce também a necessidade de métodos que orientem escolhas, organizem portfólio e deem mais consistência à execução.
Continue lendo para entender como a governança da inovação pode revolucionar a gestão de projetos e impulsionar o sucesso na construção civil.

O que significa governança da inovação
Governança da inovação é a estrutura que orienta como a empresa identifica oportunidades, define prioridades, avalia relevância e conduz projetos de inovação com alinhamento ao negócio.
Na prática, por exemplo, ela ajuda a responder perguntas fundamentais:
– O problema é estratégico?
– O processo impacta diretamente a operação?
– A dor é relevante o suficiente para justificar investimento?
– O fluxo já está maduro para ser digitalizado?
– A solução deve vir do mercado ou de um desenvolvimento específico?
Essas perguntas parecem simples, mas são elas que evitam que a inovação seja guiada apenas por percepção, urgência momentânea ou entusiasmo com novas tecnologias.

O risco de inovar sem método
Quando a inovação não possui estratégia e critérios claros, alguns problemas se tornam recorrentes. Tal como:
– Projetos avançam sem conexão real com a estratégia.
– Soluções são buscadas antes da compreensão do problema.
– Processos ineficientes são apenas digitalizados, sem antes serem melhorados.
– A liderança perde visibilidade sobre prioridades, andamento e valor gerado.
Nesse cenário, a inovação passa a depender mais de esforço isolado do que de capacidade organizacional.
E, sem governança, dificilmente ela ganha escala.
A construção da Governança de Inovação
Uma governança de inovação consistente costuma se apoiar em três pilares principais.
1° O primeiro é a estrutura, que define papéis, etapas e decisões ao longo da jornada.
2° O segundo é o critério, que ajuda a priorizar iniciativas com base em relevância estratégica, impacto e aderência ao negócio.
3° O terceiro é o método, que organiza o caminho entre a identificação da oportunidade e a entrega da solução.
É essa combinação que torna a inovação menos difusa e mais gerenciável.
Case prático
No Grupo HTB, essa visão aparece no HTB Digital, programa criado para digitalizar processos relevantes para a estratégia da empresa, otimizar recursos e gerar impacto positivo nos resultados do negócio.
De fato, mais do que um programa de implantação de tecnologia, o HTB Digital parte de uma lógica importante, isto é: a digitalização precisa seguir uma sequência de análise e decisão, e não começar diretamente pela ferramenta.
Em outras palavras, a aplicação do programa segue alguns passos centrais:
1) Primeiro, identificar oportunidades ligadas à estratégia e aos processos do negócio, usando um funil para avaliar relevância antes de avançar.
2) Depois, analisar se o processo já está otimizado ou se precisa primeiro ser melhorado antes da digitalização.
3) Na sequência, definir qual é o melhor caminho de solução: buscar algo pronto no mercado ou estruturar um projeto específico para atender à necessidade identificada.
4) Por fim, conduzir o projeto com definição de equipe, cronograma, plano de trabalho e acompanhamento até a entrega para a operação.
Esse modelo é valioso porque mostra que governar a inovação não significa travar o avanço, afinal, significa criar uma lógica para que a empresa invista energia no que realmente importa.

Inovação com governança, resultados e maturidade
Quando a inovação passa a seguir uma estrutura como essa, alguns ganhos se tornam mais claros. Por exemplo:
– A empresa melhora sua capacidade de priorização.
– Evita digitalizar processos mal resolvidos.
– Toma decisões com mais aderência à estratégia.
– Organiza melhor seu portfólio.
– E aumenta a previsibilidade na implantação das iniciativas.
Em outras palavras, a governança fortalece a qualidade das escolhas, e, na inovação, escolher bem é tão importante quanto executar bem. Empresas mais maduras em inovação não são necessariamente as que possuem mais ideias ou mais ferramentas, mas sim aquelas que conseguem sustentar uma lógica de decisão, priorização e execução ao longo do tempo.
Portanto, é isso que diferencia ações pontuais de uma capacidade real de inovar. Na construção civil, isso tende a se tornar cada vez mais decisivo. À medida que o setor avança em digitalização, dados, automação e novas formas de gestão, cresce também a necessidade de estruturas que organizem essa evolução de forma coerente.
Conclusão
A transformação do setor não acontece apenas com tecnologia, pois ela acontece quando a empresa desenvolve capacidade de priorizar melhor, decidir com mais clareza e conduzir suas iniciativas com método.
Aliás, governança da inovação é o que torna isso possível. Afinal, é ela que organiza o caminho, define critérios, direciona investimentos e aumenta a chance de que a inovação se converta em resultado.
O exemplo do HTB Digital mostra justamente isso: inovar de forma consistente exige estrutura, lógica e alinhamento com a estratégia do negócio. No fim, não basta inovar. É preciso governar a inovação para que ela realmente avance.
Por Shirlei D’Amico, Head of Innovation no Grupo HTB.
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