Um grande problema que temos atualmente, é a ausência de mão de obra no setor da construção civil, principalmente para operar as obras C2.0, que como é sabido, utiliza mão de obra intensiva e de baixa produtividade.
As três principais funções de um sistema construtivo avançado, através de seu braço logístico, é:
- Oferecer “os meios necessária para atrair mão de obra nas plataformas 3.0 (obras R 3.)”; aliás, é importante ressaltar que no sistema construtivo da @lliance, temos uma redução de 35% na mão de obra utilizada no canteiro.
- Aumentar a produtividade nos subsistemas que operam a linha de montagem e a adoção de “melhorias contínuas”, permitindo uma melhoria nas margens a médio e longo prazo nas obras que operam em sistemas construtivos avançados.
- A logística, através de sua mobilidade vertical e horizontal no canteiro deve garantir os meios necessários para se atingir o fluxo contínuo de produção em sua linha de montagem (LM).
A previsibilidade na logística
Em logística a palavra de ordem chama-se previsibilidade, onde tudo relacionado a ela deve ser programado e organizado com grande antecedência, com o envolvimento dos DS 3.0 (Indústria e mão de obra) e incorporado ao “projeto”.
Vamos abrir um pouco estes itens. Quando falamos em atrair a mão de obra em nosso sistema construtivo/logística, estamos falando em três premissas básicas que temos que respeitá-las:
1. Disponibilizar os materiais nos pavimentos (UA’s), de forma endereçável (na UA’s), uma semana antes de sua aplicação.
Isto significa que enquanto o oficial (montador/aplicador) está trabalhando no pavimento inferior, ele está observando que o pavimento superior está sendo mobilizado (materiais sendo colocados) inclusive, com a participação de sua mão de obra operacional logística; e esta mão de obra, no futuro poderá ser treinada para ser um oficial montador/aplicador.
A rigor a composição da mão de obra nas obras R 3.0 é diferente à operada na C 2.0, onde a mão de obra (FN 2.) faz tudo, desde a montagem dos caixilhos à colocação dos caixilhos nos pavimentos, perdendo um tempo precioso pois os próprios meios logísticos nestes casos é totalmente falho e confuso.
Já nas obras R 3.0 (DS 3.0), temos duas componentes distintas; a primeira, refere-se ao oficial que irá processar os subsistemas no pavimento tipo (LM) e a outra trata-se de operadores logísticos que são os responsáveis em colocar os materiais nas UA’s, na hora certa; ressaltamos que os meios necessários para que isso aconteça (infra estrutura) deve ser de responsabilidade do sistema construtivo e deve-se atrelá-lo a obra (mobilidade vertical e horizontal).
O sistema logístico da @lliance possui ainda dois operadores logísticos (obra), para auxiliar os operadores da mão de obra (DS 3.0), como por exemplo o manuseio das plataformas móveis nos pavimentos, o manuseio dos guinchos velox na mobilidade vertical dos gradis, o manuseio das plataformas auxiliares nas UA’s, etc.
2. Operando em regime de “fluxo contínuo de produção” sua Linha de Montagem (LM).
Significa que a mobilidade vertical e horizontal do canteiro associado ao alinhamento dos desenvolvedores 3.0 (DS 3.0 – indústria e montadores/aplicadores da mão de obra) que atuam na linha de montagem (LM), devem garantir o fluxo contínuo de produção; é importante ressaltar que o canteiro deve estar preparado para oferecer as respostas preconizadas no sistema construtivo.
A mobilidade vertical e horizontal da @lliance no canteiro é classificada como hiper avançada, veremos abaixo como isso acontece.
- E na @lliance, há um item importante; os materiais disponibilizados nas UA’s (lincados a estação 9) não devem ser dispostos nas paredes, empilhados ou colocados ao chão, com exceção das louças; são dispostos em plataformas de madeira, colocados pelos operadores logísticos da obra.
3. A mobilidade vertical na LM, da @lliance
I. 70% dos materiais que chegam ao pavimento o fazem via grua, como regra geral. A carga é conduzida aos pavimentos, via grua, recepcionados por plataformas móveis e encaminhado as UA’s, pelo próprio DS 3.0 de forma endereçável;
II. Este tipo de mobilidade é de longe a mais eficiente, produtiva, rápida e a que menos danifica os materiais na sua chegada ao pavto; em contrapartida, é também a que mais exige a adoção de desenvolvedores 3.0 confiáveis, comprometidos (com os Fornecedor 2.0 não conseguimos esta condição) e totalmente alinhados com o sistema construtivo;
III. Do total das cargas encaminhadas aos pavimentos via grua, 45% operam no padrão Jit (Just in time) e os outros 25% no padrão Ñ Jit (Não Just in time), que seguem fluxos logísticos diferentes, onde descreveremos abaixo; ambos os padrões Jit e Ñ Jit são importantes no sistema construtivo e logístico da @lliance;
IV. As cargas são montadas antecipadamente pela indústria e recebem o nome de “cargas Smarst” (ou cargas orientadas) , pois o conjunto tem a capacidade de suprir 1 pavimento, em ambos os casos (Jit e Ñ Jit); o acondicionamento das cargas podem ser realizadas em módulos, podendo se utilizado os seguintes tipo, paletes, racks, sacos de ráfia, big bags ou um outro qualquer previamente aprovado;
V. Cada módulo, sua carga deve ser limitada a 1,0 ton/módulo, para não causar deformações na laje, que foram dimensionadas para operarem com deformações limitadas a 15 mm/ambiente; lembrando que não possuímos contra piso (é considerado peso morto em nosso sistema construtivo);
VI. Os módulos de cargas vindo da indústria devem necessariamente estar cintados e enfardados para garantir que não sofra nenhum deslocamento quando de sua movimentação vertical, pois as cargas pode alcançar altura superiores a 100 m;
VII. Outro item importante é a identificação de cada módulo, devendo conter o no. do pavimento, final da UA, o tipo da UA , o peso estimado, a relação sucinta dos produtos e outras considerações específicas.
Sistemas padrão Jit e padrão Ñ Jit
Os subsistemas operados no padrão Jit são os que possuem os maiores volumes de cargas envolvidas e estrategicamente é fundamental que assim o seja, pois do contrário iria abalar a organização do canteiro; eles são conduzidos direto ao pavimento, a partir da doca, não passando pelo SS (pulmão) e desta forma tonando mais fácil sua organização.
Padrão Jit
As cargas (subsistemas) que servem ao padrão Jit, são:
- Sistema vedação dry segue estação 2;
- Sistema predial (EL, HD e EPA) segue estação 2;
- Sistema revestimento cerâmico segue estação 7.
Utilizam caminhões, do tipo carroceria, não a plena carga, podendo ser trucados (15 ton), bi-trucados (20 ton) ou carretas (30 ton.)
É importante destacar que neste padrão de cargas, a indústria que opera deve estar bem comprometida com o sistema, pois não se tem estoques, ou seja, se houver qualquer falha nas entregas haverá uma interrupção no processamento do sub sistema, na LM (linha de montagem).
O fluxo básico para cargas no padrão Jit:
Fábrica (carga smart) —> doca (canteiro de obra) —> pavimento UA’s.
As cargas (subsistemas) que servem ao padrão Ñ Jit, são:
- Vedação convencional; segue estação 1 (n-2);
- Mad (porta entrada); endereçável;
- AL (caixilhos e portas); endereçável;
- MG bancas: endereçável;
- Louças; endereçável;
- Fachada painelizada segue estação 2.
Utilizam caminhões, do tipo spider, a plena carga, podendo ser trucados (15 ton), bi-trucados (20 ton) ou carretas (30 ton.), devendo ser do tipo spider (exceção vedação convencional e fachada painelizada, que utiliza caminhão c/ munk (6,5 ton.) descarregando os rack’s metálicos no Pulmão específico para os painéis.
A diferença fundamental em relação ao padrão Jit, é que as cargas são conduzidas ao pavimento, via grua, de forma indireta, pois inicialmente elas são levadas ao Pulmão (penúltimo SS) e no momento certo, são conduzidas ao pavimento.
Para operar desta forma as indústrias 3.0 exigem uma condição básica; “produção planejada” ou seja, não se medem os vão luz das peças; fechou o contrato, a cia deverá seguir as entregas programadas e sua produção poderá ser executada de forma planejada.
Padrão Ñ Jit
O fluxo básico para cargas no padrão Ñ Jit;
Fábrica (carga smart) —> doca (canteiro de obra) —> pulmão (penúltimo SS) —> pavimento tipo UA’s.
Fluxo de cargas da fachada painelizada
Fábrica (CMC) —> doca (canteiro de obra) —> canteiro (pulmão de painéis) —> lançamento laje.
-> 10% dos materiais que chegam ao pavimento, o fazem via mastro notadamento o concreto.
Destacamos que a @lliance utiliza muitos passantes na laje (smarts) para industrializar principalmente o sistema predial (HD, shafts, etc.), o que obriga ao lançamento do concreto ser operado na vertical.
-> 15% dos materiais o fazem via guincho as indústrias utilizam também cargas smart.
As cargas (subsistemas) que operam nesta mobilidade vertical (guincho) são:
- MG – peças de acabamento;
- Tintas;
- Mad – UA’s e shafts (NC);
- Piso laminado.
-> E por último, 5% o fazem via guincho velox as indústrias utilizam também cargas smart.
As cargas (subsistemas) que abrange esta mobilidade vertical (guincho velox) são:
- Gradis de AL: Nossa logística divide o pavimento tipo em 4 (quatro) quadrantes e conforme o no. gradis/quadrante regulamos a entrega pelo no. de prumadas a ser entregue, a fim de que tenhamos pelo menos 15 a 20 gradis/rack.
Desta forma, a Indústria entrega os gradis nos rack’s metálicos e chegando a obra, os racks são descarregados do caminhão e conduzidos ao local próximo ao quadrante, via grua.
Quando de sua colocação, 4 operadores logísticos da cia de AL, irá conduzir, via prumada os gradis aos pavimentos, via guincho velox; normalmente se utiliza, nestes casos 4 operadores logísticos, sendo 1 ao lado dos racks para amarar o gradil a grua e conduzi-lo de forma segura ao pavimento, 2 ficam a espera no pavimento tipo, para recepciona-los e o 4o fica operando o guincho velox no último pavimento.
Ressaltamos que o manuseio operacional do guincho velox, (montagem desmontagem e remanejamento) é de responsabilidade dos operadores logísticos da obra e a operação do guincho caberá a cia de AL.
No caso da aplicação da volumetria a fachada, utilizando-se volumes de EPS, by Gart procede-se da mesma maneira.
Conclusão
Pessoal, como reflexão final, a respeito da mão de obra, a pergunta que se faz é que se adotando todo este sistema logístico, os valores da mão de obra poderão ser reduzidos. Obviamente que não, mas certamente a mão de obra utilizada nas obras C 2.0 deverão ser majorados e a preferência na escolha de uma obra C 2.0 e outra R 3.0, recairá certamente com o modelo R 3.0, que agrega muito mais a cia de mão de obra.
