Construção Industrializada: O Caminho para a Eficiência e Inovação no Setor Imobiliário

Por
José Marmo
Indústria 4.0
12 min de leitura
Sequência ilustrando as fases da construção industrializada: produção modular automatizada, transporte, montagem no canteiro e entrega do edifício concluído.

José Marmo explica as diferenças entre os sistemas convencionais e industrializados, detalha os benefícios do modelo C 3.0 e aponta como a adoção de linhas de montagem e logística avançada pode transformar prazos, custos e qualidade das obras.

É muito comum, quando estou palestrando e comentando sobre o Sistema Construtivo Industrializado, eu perguntar aos presentes se o sistema construtivo de suas empresas é industrializado. A maior parte diz, sem pestanejar: “Sim, meu sistema construtivo é industrializado”.

 Longe de criar polêmicas, de uma forma simples e objetiva, vou explicar qual é a diferença entre um Sistema Construtivo Convencional (C 2.0) e o Sistema Construtivo Industrializado (C 3.0).

Construção Industrializada: para qualquer segmento da indústria imobiliária

Gostaria de esclarecer também que, quando você pensa em um sistema construtivo industrializado, significa que ele serve para qualquer segmento da indústria imobiliária:

  • A+ (alto luxo) – obras modelos core & shell

Core & Shell: obras onde se entrega todo o core: halls, caixa de escada, caixa de corrida e shafts; nas unidades autônomas, entrega-se somente o entorno da unidade – todo acabamento interno fica para o condômino proprietário.

  • A – Alto padrão;
  • MA – Médio alto;
  • MM – médio – médio;
  • MB – Médio baixo / MCMV / também chamado Lean Home (LH).

Indústrias Automobilística e Aeronáutica com Construção Industrializada

A melhor referência que temos, quanto a industrialização de um sistema construtivo, são as indústrias automobilística e aeronáutica. Em outras palavras, esses dois segmentos possuem sistemas bem avançados.

Quando você começa a pensar ou falar em um sistema industrializado na construção civil, deve estar ciente de que, necessariamente, terá que alterar o sistema construtivo.

Entretanto, cá entre nós, isso já ficou obsoleto. Com muitas patologias endêmicas e que atualmente não conseguem suportar os novos desafios que estão por vir, isso acaba se traduzindo em um sistema oneroso na obra e no pós obra.

Vantagens e Problemas da Industrialização

Mas é importante esclarecer as vantagens que você obtém quando entra em um sistema Industrializado. Ou seja, é importante esclarecer que atualmente todo sistema construtivo, o qual utiliza mão de obra intensiva (sempre de baixa produtividade e de apoio), está incorrendo em dois graves problemas.

Primeiramente, falta de mão de obra, que está se tornando crônico e pior ainda, ao ponto que custo está cada vez mais oneroso em função da escassez da mão de obra. Carregando, assim, sempre um viés de alta em seus custos.

Segundo problema é a reunião em Davos, na Suíça, que ocorreu em fevereiro de 2026. Onde se reuniram as principais lideranças econômicas mundiais.

De fato, os especialistas foram unânimes em afirmar que, até 2030, 30% dos empregos formais desaparecerão ou serão descontinuados. Dessa maneira, dando lugar a novas profissões, a quais nem ao menos conhecemos.

Voltando aos benefícios, no momento que você opta por um sistema construtivo industrializado, temos:

1 – Redução no prazo de sua obra – superior a 33%.

2 – Redução na mão de obra do canteiro – superior a 33%. Afinal, utiliza-se sistemas off site, isto é, produzidos fora do canteiro e montados na obra. Como, por exemplo, Fachadas em LSF (Light Steel Frame) e sistemas prediais (elétrica, hidráulica e ar condicionado).

3 – Redução das patologias com forte viés de baixa – pois oferecem maior controle na produção, utilizando DS 3.0 (desenvolvedores 3.0) no lugar de fornecedores (FN 2.0) – nas construções C 2.0, que são mais bem estruturados. Importante ressaltar que a padronização dos subsistemas, é um item importante e que impacta de forma positiva na redução das patologias.

 

Entrega de produtos: qualidade e desempenho

– Entrega de produtos com qualidade igual ou superior nas UAs (Unidades Autônomas), como por exemplo: 

  • – Desempenho termoacústico das paredes de vedação.
  • – Qualidade das paredes e tetos (planicidade).
  • FR (forro rebaixado) em 100% das UAs – ou seja, sem sancas e sem fechamento vertical – forro rebaixado das áreas quentes, com o mesmo nível do terraço social, lembrando, assim, não temos a viga que divide a sala do terraço.
  • AL – Linha minimalista.
  • Sistemas Prediais Industrializados (elétrica e hidráulica) – com nada embutido nas paredes e nem no concreto (mínimo), tornando sua cerâmica “imexível”.
  • Portas de madeira padrão mobília.
  • Potencial redução no custo da obra, superior a 10%
  •  

Como industrializar uma obra na construção civil?

Agora, vamos ao que interessa: como se industrializa uma obra na construção civil? Importante salientar que, a partir de agora, estaremos nos referindo ao nosso sistema construtivo @lliance p.s / D 4.G (@lliance production system com tecnologia Dry de 4º geração).

Temos que implantar – em sua torre (primeiro ao último pavimento) – uma linha de montagem avançada (LM). Isso, a partir do chassi, LM que deve ser simples, enxuta e descomplicada. Ou seja, inserida no pensamento “lean thinking”.

Lembrando que o chassi é a essência de nosso sistema construtivo, aliás representa a estrutura de concreto + tecnologia de fachada (estação 1). Portanto, com share de 30 % do custo total da obra.

A modelagem do chassi também é um item importante, sempre compartilhada a seis mãos: arquitetura, estrutura e o influenciador/construtora.

Nossa LM segue o modelo VVP (vertical, virtual e progressiva). Dessa maneira, operando no modo anel.

Com as seguintes características:

  • – 12 estações de trabalho.
  • – Operando no ciclo de 1 pavimento / 6 dias.
  • – Sincronizadas.
  • – Defasagem entre a 1º estação (estação 1 ) e a segunda estação (estação 2) é de 5 pavimentos, em função da necessidade de ter 3 lajes escoradas umas nas outras, por causa da estrutura on site (moldada in loco).
  • – Em regime de fluxo contínuo de produção – ou seja, começou não para -, sendo essa a grande diferença entre um sistema convencional (C 2.0) e o sistema industrializado (C 3.0).

 

Sistema construtivo industrializado

Se você consegue fazer, em sua obra, uma LM (linha de montagem), operando em regime de fluxo contínuo de produção, parabéns! Afinal, você entrou no sistema construtivo industrializado.

No sistema C 2.0, temos dois subsistemas que limitam o “fluxo contínuo de produção”: a fachada argamassada e a vedação em blocos de alvenaria. Por isso, teve que substituí-los.

Mais uma percepção importante, ao longo dos anos, você só consegue operar no regime de fluxo contínuo de produção. Isto é, se seu sistema construtivo oferecer uma logística avançada. Aliás, percebi também que o sistema construtivo 2.0 (C 2.0) não possui logística. Afinal, de fato, o braço forte de seu sistema construtivo é a logística – discorrida em nosso último artigo.

 

12 linhas de montagem

Descrevo abaixo as 12 linhas de montagem:

  • Estação 1:
    •  Chassi

Abastecimento do sistema vedação convencional (argamassa e blocos de alvenaria): vale ressaltar que utilizamos vedação convencional na caixa de escada, caixa de corrida e shafts – representando menos de 5% das vedações do pavimento tipo.

  • Estação 2:
    • Abastecimento no pavimento das cargas dos sistemas de vedação dry: revestimento cerâmico e sistema prediais (elétrica, hidráulica e ar condicionado) sob regime Just in Time (JIT) – via grua.
    • – Lançamento fachada off site.
  •  Estação 3: montagem da infraestrutura dry wall (guias e montantes).
  • Estação 4: montagem dos sistemas prediais (elétrica, hidráulica e ar condicionado).
  • Estação 5: chapeamento das paredes.
  • Estação 6: tratamento das juntas.
  • Estação 7:
    • – Montagem do forro rebaixado.
    • – Abastecimento no pavimento: portas de entrada (só elas), louças, AL e bancas de mármore granito sob regime Just in Time (JIT) – via grua.
  • Estação 8: revestimento cerâmico.
  • Estação 9: fechamento apartamento:
    • – Colocação de portas de entrada.
    • – Colocação de AL e selagem.
    • – Colocação de louças e metais.
    • – Colocação de bancas e metais.
  • Estação 10: pintura (apartamento e varanda)
  • Estação 11:
    • – Limpeza.
    • – AL: regulagem e colocação de alizares.
    • – Colocação de espelhos das peças elétricas.
  • Estação 12: colocação de mobília civil – apartamento concluído:
    • – Portas internas.
    • – Piso laminado flutuante.
    • – Fechadura digital.

 

Conclusão

Por fim, percebemos que, na indústria automobilística, ao final da LM, os produtos (carros) saem prontos para o pátio de estoque. Em contrapartida, na construção civil, mesmo concluindo a LM (UAs), o produto não sai totalmente pronto, afinal, temos que concluir alguns subsistemas.

Os quais não estão inseridos na LM, mas, necessariamente, devem estar sincronizados à LM: Linhas de Macro Fluxo (ao todo 12):

  • Macro Fluxo Subsolos – conclusão entre 12 e 16 semanas antes da data de assembleia.
  • Macro Fluxo Pós-tipo – 8 semanas após a desmobilização das formas do pavimento ático.
  • Macro Fluxo Pintura Fachada – de 8 a 10 semanas após a desmobilização das formas do pavimento ático.
  • Macro Fluxo Térreo interno
  • Macro Fluxo Térreo externo
  • Macro Fluxo Montagem Elevadores
  • Macro Fluxo caixa de escada
  • Macro Fluxo Halls
  • Linha de Macro Fluxo Barrilete Inferior / Superior / Central Térmica
  • Linha de Macro Fluxo Shafts
  • Linha de Macro Fluxo CM / entrada energia
  • Linha de Macro Fluxo Concessionárias

Concluímos que, um dos fatores que acaba derretendo o prazo e o custa das obra no sistema construtivo industrializado, trata-se de uma combinação:

  • – LM (UAs): operando com Fluxo Contínuo de produção.
  • – Linhas de macro fluxo sincronizadas à LM (UAs).

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Por José Marmo, Sócio-fundador e Chefe de Engenharia da Alliance FBT (Full Building Technology).

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