Mercado

Crise na bolsa; empresas menores sofrem mais do que as gigantes, mas seguem na frente

Especialistas afirmam que as Small Caps são mais suscetíveis à volatilidade.

Em 2020 , com a crise do coronavírus que afeta a saúde das pessoas e também os mercados, os investidores dos ETFs (fundos de investimento que contêm as mesmas ações de um determinado índice) desses dois índices perderam. Mas o tombo levado pelo SMAL11, de 37,19%, foi um pouco maior do que aquele levado pelo BOVA11, de 36,17%, o mais líquido entre aqueles que replicam o Ibovespa (veja o gráfico abaixo).

Quem investiu no índice de Small Caps, que reúne as empresas com menor valor de mercado, no ano passado se deu bem. A alta do fundo de índice (ETF SMAL11) que replica essa carteira foi de 56,7% em 2019, contra 31,5% do índice do Ibovespa — que congrega, em contrapartida, as empresas mais negociadas e de maior valor da bolsa.

Ampliando um pouco o horizonte e levando em consideração um cenário em que os investimentos tivessem sido feitos na virada de 2018 para 2019, as perdas foram de 2% para o SMAL11 e de 16% para o BOVA11. Em 12 meses, o ETF das pequenas acumula desvalorização de quase 11%, mas menor do que o escorregão de 26% do principal índice da bolsa.

 

Apesar de as small caps ainda estarem na vantagem nesses períodos, especialistas afirmam que esse cenário pode mudar. Créditos: Divulgação.

 

Dependendo das proporções que a pandemia do coronavírus tome nos próximos meses. Isso porque as empresas menores tendem a ser mais voláteis do que as gigantes, tanto no bom cenário quanto no mau.

“Em momentos mais críticos, como o atual, as menores têm menos caixa, podem precisar contrair dívidas e, assim, sofrer mais do que as demais”, afirma o professor Michael Viriato, coordenador do laboratório de finanças do Insper. Já em um bom momento, elas tendem a subir mais. “Se elas apresentam bons resultados, têm uma perspectiva de crescimento, elas começam a atrair investidores e seus papéis sobem de forma mais forte”, afirma Julia Monteiro, analista da MyCAP.

 

Ano Ibovespa

Small Caps

2010

1,0%

22,8%

2011

-18,1%

-16,6%

2012 7,4% 28,7%
2013 -15,5% -15,2%
2014 -2,9% -17,0%
2015 -13,3% -22,4%
2016 38,9% 31,8%
2017 26,9% 49,4%
2018 15,0% 8,1%
2019 31,6%

58,2%

 

 

 

 

Créditos: Michael Viriato/Insper

Como o momento é de incerteza, as ações de Small Caps podem sofrer um pouco mais, segundo especialistas. Porém, eles sustentam que não é momento de se desfazer desses papéis. “É preciso esperar ainda para ver como vai ser a extensão desse período. Se ele é só um momento de ansiedade ou não. É cedo para falar alguma coisa. Se isso durar dois ou três meses e começar a mudar, não há por que se desfazer de nenhum índice. Se passar esse período e continuar ruim, aí pode começar a repensar”, afirma Viriato, do Insper.

Para Pedro Galdi, analista da Mirae, o investidor que aplica em Small Caps precisa ter foco no futuro. “É uma aposta de longo prazo. Sua queda mais forte também pode ser uma oportunidade mais para frente”, afirma. Para ele, quem está interessado no mercado de ações precisa avaliar papéis com bons fundamentos e perspectiva de recuperação.

 

Fonte: Valor Investe

 

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