Benchmarking na construção civil: aprendendo com quem faz melhor

Por
Thomas Diepenbruck
Aprendizagem Organizacional
5 min de leitura

O benchmarking é um processo de avaliação de uma empresa em relação à concorrência ou a outros segmentos, com objetivo de comparar seus processos, indicadores e resultados com os de outras organizações que são referência no setor.

Tal prática não significa copiar, porém adaptar soluções à sua realidade e promover melhorias contínuas, a partir desse aprendizado. No Brasil, onde a construção civil ainda enfrenta desafios como baixa produtividade e desperdício de materiais, o benchmarking pode ser muito útil para mudar essa realidade. Isso pode envolver desde o planejamento de obras até o uso de tecnologias, passando por controle de qualidade, gestão de pessoas e sustentabilidade.

Ao adotar benchmarking, as empresas conseguem:

⦁ Reduzir custos e desperdícios;
⦁ Aumentar a produtividade;
⦁ Melhorar a padronização de processos e a qualidade das entregas;
⦁ Estimular a inovação;
⦁ Promover melhorias na gestão de recursos;
⦁ Tomar decisões com base em dados concretos.

Um exemplo prático recente de aplicação bem-sucedida de benchmarking no Brasil foi realizado por uma construtora sediada em Minas Gerais. A empresa participou de um projeto de benchmarking promovido pelo Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade no Habitat (PBQP-H), com apoio do Sinduscon-MG e da revista PINI.

O foco do projeto era comparar indicadores de produtividade entre diferentes obras de infraestrutura, especialmente rodovias. Após coletar dados relacionados a tempo de execução, consumo de materiais, uso de equipamentos e desempenho da mão de obra em diversas frentes de trabalho, puderem ser feitas comparações com dados de outras construtoras participantes do programa e promovidas melhorias na gestão de equipamentos, com aumento da disponibilidade e redução de custos operacionais.

Também foram padronizados alguns processos, facilitando o treinamento de equipes e reduzindo retrabalhos. Entre os resultados alcançados, foi possível reduzir até 20% no tempo de execução de obras rodoviárias, além de obter um maior controle de insumos, com diminuição de perdas e melhor aproveitamento de materiais.

O exemplo acima mostra os evidentes ganhos com essa prática, o que deveria fazer parte da agenda estratégica de todas as empresas, para promoção do aprendizado e crescimento do setor. E quais seriam os passos recomendados para aplicá-lo de forma eficaz na sua empresa?

São sugeridas as seguintes etapas:

Escolha o foco da comparação: pode ser um processo específico (como planejamento de obra), um indicador (como custo por metro quadrado) ou uma área (como segurança do trabalho).
Identifique parceiros ou fontes de referência: empresas do mesmo setor, associações setoriais tais como Sinduscon, publicações técnicas ou até unidades internas da própria organização.
Colete dados confiáveis e padronizados: use indicadores claros e objetivos, como produtividade da mão de obra, índice de retrabalho, consumo de materiais, entre outros.
Analise os dados e identifique lacunas: veja onde sua empresa está abaixo da média e quais práticas podem ser adaptadas à sua realidade.
Implemente melhorias com acompanhamento: crie planos de ação, envolva as equipes e monitore os resultados ao longo do tempo.

Porém, além de seguir de um roteiro como o sugerido, para garantir que o benchmarking gere resultados concretos, é essencial criar uma cultura organizacional voltada para o aprendizado contínuo. Isso envolve engajar as equipes, mostrar os benefícios da prática, investir em capacitação e utilizar ferramentas tecnológicas para coleta e análise de dados, tais como dashboards em Power BI ou até mesmo softwares de gestão de obras.

A participação em redes de colaboração, como grupos técnicos do SindusCon ou fóruns de inovação, também ajuda a manter o tema sempre ativo e relevante. Por isso, não espere o futuro chegar para nos obrigar a promover melhorias; implemente já o benchmarking em sua empresa e colha logo os benefícios dessa prática.

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