Entrevista com Paulo Oliveira sobre Industrialização da Construção – O Caminho para a Produtividade e Sustentabilidade no Brasil

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Paulo Oliveira, CEO da ARATAU e colunista do C3, compartilha sua visão sobre inovação, produtividade e sustentabilidade na construção civil.

Estratégias para transformar o setor, industrialização da construção é o tema central da entrevista exclusiva com Paulo Oliveira, referência nacional em inovação, produtividade e sustentabilidade no setor.

 

Paulo Oliveira, engenheiro e CEO da ARATAU, recebe a equipe do C3 para um bate-papo. Com sua experiência de quem já atravessou décadas de transformações no setor, o engenheiro compartilha, com entusiasmo e precisão, sua visão sobre o futuro da construção civil.

 

O cenário é de mudança: a industrialização da construção não é mais uma tendência distante, mas uma necessidade urgente para garantir produtividade, sustentabilidade e competitividade no Brasil.

 

Industrialização da Construção Civil: principal vetor de transformação do setor

A industrialização da construção emerge como o principal vetor de transformação do setor no Brasil. Em entrevista exclusiva à coluna “Matéria de Mercado”, Paulo Oliveira, referência nacional em engenharia, inovação e liderança, detalha os desafios, oportunidades e soluções que estão redesenhando o panorama da construção civil.

 

Com uma trajetória marcada por protagonismo em entidades setoriais, empresas líderes e projetos disruptivos, Paulo Oliveira defende que a adoção de métodos industrializados é o único caminho viável para superar gargalos históricos de produtividade, sustentabilidade e qualificação de mão de obra.

 

Em outras palavras, nesta conversa, Paulo revela como a industrialização da construção pode revolucionar o setor, impulsionando o Brasil rumo à Construção 4.0.

 

Por que o Brasil precisa acelerar essa transformação em Industrialização da Construção?

Paulo Oliveira: O setor de construção civil brasileiro enfrenta um momento decisivo. Apesar de sua relevância econômica, o modelo artesanal tradicional já não atende às demandas de produtividade, qualidade e sustentabilidade exigidas pelo mercado.

 

Enquanto a digitalização avança com o uso crescente do BIM, a industrialização da construção ainda encontra barreiras culturais e técnicas. O déficit habitacional supera 6 milhões de unidades, a escassez de mão de obra qualificada se agrava e os índices de desperdício e retrabalho elevam custos e impactos ambientais.

 

A única solução efetiva é migrar para métodos industrializados. Se não iniciarmos urgentemente este processo, em breve estaremos sob risco de colapso operacional e econômico e vivenciaremos um cenário caótico.

 

O que impulsiona a industrialização da construção?

Paulo Oliveira: Diversas iniciativas já pavimentam o caminho para a industrialização da construção no Brasil. Entre elas, a Estratégia BIM BR, que tornou o uso do BIM obrigatório em obras públicas, e o Projeto Construa Brasil, que visa modernizar o setor por meio da desburocratização e digitalização.

 

Por meio da plataforma Brasil Viável, o C3 – O Clube da Construção Civil articula discussões e soluções para superar barreiras à industrialização, promovendo eventos, podcasts e fóruns de alto nível.

 

O Projeto Construção 2030, da CBIC, com o apoio do SENAI, destaca-se como um verdadeiro “divisor de águas” e já entregou um guia estratégico (Parte 1 e Parte 2) para a adoção de plataformas abertas de produto na construção, inspirando-se em setores como o automotivo e o naval e também na experiência de países mais avançados na industrialização, no setor de construção.

 

No cenário internacional, precisamente, no Reino Unido e na abordagem P-DfMA (Platform Design for Manufacture and Assembly), amplamente difundida por empresas como a Bryden Wood, foi implementado um programa amplo que utiliza plataformas abertas de produto, constituídas de kits de peças e módulos padronizados para customização em massa de edificações públicas e privadas. Já se nota sua adesão em segmentos como educação, saúde, segurança, infraestrutura e habitação.

 

Como implementar a industrialização da construção, quanto a estratégias, desafios e oportunidades?

Paulo Oliveira: A transição para a industrialização da construção exige uma mudança estratégica de mentalidade, mas, sobretudo, do modelo de negócio. Afinal, o compromisso do C-level é fundamental para liderar essa transformação.

 

Por exemplo, entre as ações essenciais, destacam-se: antecipar o projeto de industrialização, desde o etapa conceitual do produto, investindo num trabalho robusto e bem conduzido de Pré-construção, centralizado no BIM, desenvolvendo alianças estratégicas com fornecedores num trabalho robusto e bem conduzido de Pré-construção, centralizado no BIM, desenvolvendo alianças estratégicas

 

A ARATAU, sob minha liderança, desenvolveu uma metodologia colaborativa, estruturada por 3 pilares (Pré-construção, Fast Cosntruction e BIM). Empregando, dessa maneira, ferramentas tais como: Target Costing, Engenharia e Análise do Valor (EAV), Engenharia Simultânea e Lean Construction.

 

Com isso, permitindo que os clientes escolham por onde querem iniciar a jornada da industrialização, inserindo gradualmente e com segurança, os componentes, kits, sistemas e módulos industrializados em seus projetos e empreendimentos.

 

E assim, com total orientação e suporte técnico, apoiados por estudos paramétricos de  viabilidade e ainda por um trabalho de logística e suprimento avançado. Há uma simbiose, uma vez que as áreas de engenharia, suprimentos, orçamento e planejamento dos clientes participam deste trabalho. O que permite a assimilação de conceitos e a capacitação das mesmas na construção modular e off-site.  

 

O resultado é uma operação mais produtiva, ágil e sustentável, com ganhos expressivos em prazo, custo e qualidade, operando com maior previsibilidade e controle, com benefícios evidentes e diretos nos resultados operacionais.

 

Quais são os impactos, métricas e inovação na experiência do cliente com Industrialização da construção e ESG?

Paulo Oliveira: A industrialização da construção é uma poderosa alavanca para práticas ESG. A redução do consumo de recursos naturais, menor geração de resíduos, rastreabilidade, eficiência energética e circularidade são apenas alguns dos benefícios.

 

Recomendamos, desse modo, a adoção de métricas comparativas como a redução na extração de recursos naturais, do percentual de resíduos gerados, da emissão de CO2 (pegada de carbono), do consumo de água e de energia. E, por exemplo, além da eficiência da edificação pronta (desempenho térmico, estanqueidade, durabilidade e demanda energética em uso).

 

Sem entrar em detalhes, entretanto, uma visão mais ampla de ESG, mede-se o impacto social (taxa de acidentes, horas de exposição a riscos, condições ergonômicas, horas de capacitação, impacto na vizinhança, etc.). No entanto, em governança, também se mede rastreabilidade, conformidade, padronização transparência e gestão de riscos.

 

Falando mais sobre Inovação e a Experiência do Cliente, quais são as tendências?   

Paulo Oliveira: Mais do que uma tendência, a Experiência do Cliente e a Jornada do Cliente são conceitos já de enorme relevância na Indústria 4.0. De fato, sendo essenciais no caminho para a Indústria 5.0.

 

Pesquisas avançadas – conduzidas pela McKinsey – mostram resultados impressionantes em empresas globais líderes na Jornada do Cliente por exmplo. Ou seja, as quais mais do que dobraram o crescimento das vendas em relação a empresas também globais. Empresas que praticam a Jornada do Cliente, porém, num nível ainda primário.

 

Portanto, a experiência do cliente ganha protagonismo com a integração de BIM e Realidade Virtual. Como exemplifica a spin-off da ARATAU, a VRCX – Virtual Reality Customer Experience, que está sendo acelerada pelo C3, com forte atuação para empresas líderes do mercado imobiliário.

 

De fato, trata-se de uma integração entre o BIM e uma plataforma de Realidade Virtual (RV) de videogame. Assim, permite a realização de Tour Virtual de empreendimentos, áreas comuns e de decorados. 

 

E aliás, ainda a personalização do imóvel pelo futuro proprietário, com auxílio de um profissional especializado, em ambiente imersivo, hiper-realista e interativo. Na personalização, o sistema gera orçamento e memorial descritivo de acabamentos. Isto é,  em tempo real. Estando, desse modo, conectado a plataformas de assinatura digital para automatizar a assinatura de contratos.

 

Essa inovação, contudo, é inédita no mundo. Porém, tem pedido de patente requisitado e foi objeto do 1º lugar numa premiação setorial nacional da CBIC. Representando, assim, um novo patamar de fidelização e de transparência no mercado imobiliário.

 

Em síntese, trata-se de uma poderosa ferramenta de vendas, dando segurança ao futuro proprietário, que pode experimentar o seu produto de forma extremamente realista, antes dele existir. Certamente, isso aguça as sinapses cerebrais e aumenta o desejo de compra.

 

Fale sobre as polêmicas e dores que o setor enfrenta?   

Paulo Oliveira: Apesar dos avanços, a industrialização da construção ainda enfrenta resistência à inovação, falhas de projeto e execução e desafios na qualificação da mão de obra. O conservadorismo do setor, aliado à falta de incentivos e à complexidade regulatória, dificulta a adoção em larga escala.

 

Por certo, precisa-se entender que há uma transição a ser feita e que métodos tradicionais de construção existirão ainda por muito tempo. Portanto, deve-se intensificar o cuidado para capacitar profissionais e racionalizar e melhorar a qualidade e o desempenho da construção tradicional.

 

No que tange à construção industrializada, empresas que apostam somente em sistemas fechados ou soluções únicas – que são extremamente adequados em algumas circunstâncias – provavelmente perdem competitividade diante da necessidade da flexibilidade e customização. 

 

Ou seja, que são características presentes em muitos projetos. Sobretudo, considerando as características de logística e suprimento de um país com dimensões continentais, como o Brasil. Além disso, com as condições específicas de cada uma das suas regiões.

 

Em outras palavras, defendo que a possibilidade da transformação vem com liderança comprometida, integração da cadeia de valor e investimento contínuo em tecnologia e capacitação.

 

Paulo Oliveira e C3 na vanguarda da industrialização da construção

A industrialização da construção não é apenas uma tendência, mas uma necessidade estratégica para o futuro do setor no Brasil. Líderes, investidores e profissionais que desejam se manter competitivos devem investir em inovação, sustentabilidade e transformação digital.

 

Quer saber mais sobre as soluções inovadoras em industrialização da construção e como transformar o seu próximo projeto? Clique aqui, entre em contato com Paulo Oliveira e conheça de perto a metodologia da ARATAU.

 

Descubra como sua empresa pode dar o próximo passo rumo à produtividade, sustentabilidade e inovação no setor. Conecte-se com quem está liderando a transformação da construção civil no Brasil!

 

Por fim, o C3 – O Clube da Construção Civil segue na vanguarda desse movimento. Oferecendo conteúdo técnico, networking e oportunidades para quem quer liderar a nova era da construção. Acesse as redes do C3, acompanhe a coluna “Matéria de Mercado” e faça parte dessa revolução.

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1 comentário
  • Excelente entrevista , não poderia ser diferente, C3 e Paulo Sergio juntos gera conteúdo .

    Reitero a reflexão que a maturidade do Mercado precisa de aceleração , incentivos como observado pelo Paulo .

    Temos que quebrar paradigmas , usar processos industrializadas inclusive concentrados no Off Site ! Mas fábricas e apenas montarmos !

    Que aqueles que estão investindo nesta “ ideia solução “ tenham a perseverança que o tema requer .

    Boa caminhada Paulinho , obrigado C3 pelo belo trabalho .

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