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Juro na mínima sustenta crédito imobiliário mesmo com pandemia

Em quatro anos, taxa média de financiamento no SFH recuou cerca de 5 pontos.

O custo de financiar a compra da casa própria nunca esteve tão favorável, e é isso que explica boa parte da alta de cerca de 29% nas concessões no semestre.

O crédito imobiliário hoje exibe a menor taxa do mercado entre todos os tipos de empréstimos, sem considerar as linhas emergenciais criadas na atual crise. E, após a pandemia, as taxas podem cair ainda mais, segundo especialistas.

Em quatro anos os juros médios dos financiamentos dentro do sistema financeiro de habitação (SFH) recuaram cerca de cinco pontos percentuais, de 12% ao ano para 7%, segundo levantamento do portal Credihome, especializado em comparação de taxas do segmento. Isso significa um alívio para o bolso de 31%, em média, no peso do financiamento.

Atualmente o crédito imobiliário tem a menor taxa do mercado. Créditos: Divulgação.

Conforme uma simulação do Credihome, em 2016, para financiar 80% de um imóvel avaliado em R$ 500 mil, uma família teria um custo efetivo total (CET), ou seja, com juro do empréstimo mais outros gastos, como seguros, de 13,28% em média. Isso significa que a prestação alcançaria pouco mais de R$ 5 mil, o que exigiria uma renda mensal de R$ 16,8 mil. Em julho de 2020, o CET desses mesmos R$ 400 mil que a família teria de emprestar caiu para 7,75%. Com isso, a prestação recuou para R$ 3,5 mil e a renda necessária reduziu-se a R$ 11,5 mil.

Outro dado consultado foram os resultados preliminares da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) referentes a 2017 e 2018. Nela menos de 6,6% das 69 milhões de famílias no país poderiam acessar um financiamento de R$ 400 mil com CET de 13,28%.

Esse percentual representa os grupos com renda acima de R$ 14,3 mil.

Quando o custo efetivo recua 5,53 pontos percentuais, na realidade atual, o total de famílias com capacidade de assumir o mesmo financiamento dobra, sai de menos de 6,6% para 13%. Isso porque, com a queda da prestação, mais 4,4 milhões de famílias passam a preencher as condições de comprometimento máximo de 30% do rendimento total, de acordo com os dados da POF.

Segundo a pesquisa da fintech, os financiamento habitacionais ultrapassaram a taxa básica em maio de 2017, quando a média passou a ter um delta positivo de 0,16 ponto, após a queda da Selic para 10,70% ao ano. Desse ponto em diante, a diferença subiu até a faixa de 2 a 3 pontos em outubro de 2017 e se estabilizou nessa faixa até dezembro de 2019.

Neste ano, porém, a relação entre o custo médio do financiamento imobiliário e a Selic começou a subir mês a mês, conforme a crise se estabelecia. Com isso, o delta atingiu um pico desde a recessão passada.

Fonte: Valor Econômico.

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