Roberta Bigucci e o Desafio Feminino no Mercado: Vamos rasgar o Sutiã ou Vamos falar de ESG?

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Liderança feminina em destaque: executiva conduz reunião estratégica sobre diversidade e inovação no mercado imobiliário.

ESG na Construção Civil vai além da sustentabilidade. Afinal, o papel da mulher é central. Roberta Bigucci revela dores e avanços no setor imobiliário. 

 

No universo do mercado imobiliário, a presença feminina sempre enfrentou desafios históricos. Roberta Bigucci, diretora da MBigucci, compartilha sua trajetória desde os tempos de office girl até a liderança, mostrando, assim, como a luta por espaço e reconhecimento feminino se entrelaça com os pilares do ESG.

 

Em 2026, a discussão sobre sustentabilidade, governança e impacto social ganha um novo olhar: o da mulher que, além de construir negócios, precisa diariamente provar seu valor em um ambiente ainda marcado por desigualdades.

 

Portanto, a experiência de Roberta revela que, para avançar, é preciso rasgar paradigmas e dar voz à governança invisível que sustenta o setor. Continue lendo para entender como o ESG, sob a ótica feminina, transforma o mercado imobiliário e inspira novas lideranças.

 

Desde setembro de 2022, meus artigos tiveram como norte as siglas do ESG (Environmental, Social and Governance). Discutimos sustentabilidade, governança e impacto social.

 

Agora, em 2026, o editor pediu para eu “rasgar o sutiã” e falar das dores das mulheres no mercado imobiliário. Mas, ao analisar friamente o tema, percebi que ainda vamos falar de ESG, agora focado no S e no G.

 

Rasgar o sutiã é olhar para a viga mestra: a mulher. Dar rosto e voz a uma “governança invisível”. Nessa nova trilha, não quero ser vista como rebelde, mas sim, como uma pessoa transparente e otimista.

 

Mulher engenheira ou executiva de construção civil, usando capacete e roupas sociais, caminha confiante em um grande canteiro de obras com prédios e guindastes ao fundo, simbolizando liderança feminina no setor imobiliário.
Executiva lidera obras em grande canteiro de construção, representando o protagonismo feminino e a força das mulheres no mercado imobiliário.

 

Minha trajetória no mercado imobiliário começou aos 15 anos, como office girl. Isto é, levando pastas de clientes de São Bernardo do Campo até a Cidade de Deus, em Osasco — isso de ônibus, claro.

 

Passei por quase todos os setores da MBigucci até à diretoria. Se hoje me chamam para mentorar mulheres, é porque aprendi desde cedo que o caminho exige muito estudo, muita dedicação e uma dose de “cara de pau”.

 

Durante décadas, disseram que nosso lugar era escolher a cor das cortinas quando os maridos compravam o imóvel. E hoje? Nosso lugar é desenhar o plano diretor, decidir investimentos de milhões e — fazendo aqui um trocadilho — assinar a escritura da nossa própria vida.

 

Entretanto, foi fácil chegar nos dias de hoje? Claro que não! Muitas vezes, ouvi que “aquele lugar não era para mim” porque só havia homens na sala. Então, eu digo que o “S” aqui é de “sobrevivência” e não só do Social. Portanto, tudo sempre é mais complexo. Além de enfrentar o “só ter homens”, temos que enfrentar as multitarefas.

 

Quando um homem fecha um grande negócio, ele sai com os pares para comemorar. A mulher, na mesma situação, antes da comemoração, precisa organizar as crianças, o jantar e a casa. E nem digo fazer — que muitas fazem —, digo mesmo que seja somente coordenar alguém que faça. Afinal, é a “governança invisível”, uma carga mental.

 

Existe um mito de que o “foco absoluto” é a única via para o sucesso. Na prática, as mulheres trazem a Alta Performance Multicanal. Não perdemos o foco, nós expandimos o radar — li isso outro dia e amei.

 

Reconhecer a carga mental não é admitir incapacidade, mas sim, expor uma competência de gestão de crise que a maioria dos gestores nunca precisou desenvolver.

 

A primeira dor que o meu colega homem talvez não perceba é a necessidade da validação constante, isto é, que nós (mulheres) enfrentamos diariamente. No setor imobiliário, nesse sentido, “rasgar o sutiã” não é um ato de rebeldia gratuita. De fato, é um pedido de honestidade.

 

É dizer aos nossos colegas: “Eu não quero ser tratada como uma flor no escritório, eu quero ser tratada como a profissional que entrega o mesmo resultado que eles, com o dobro ou triplo do esforço logístico nas costas”.

 

A dor não é o trabalho duro, afinal, nós sabemos trabalhar. A dor é o peso de ter que ser perfeita para ser considerada “apenas boa“. É o medo de parecer “emocional” numa negociação, enquanto um homem é visto como “agressivo e determinado” — porém, ao fazer exatamente a mesma coisa.

 

Mulher profissional trabalha à noite em casa, concentrada no laptop e documentos, enquanto ao fundo um homem cozinha e duas crianças brincam, ilustrando a sobrecarga e a governança invisível da mulher moderna.
Mulher equilibra trabalho remoto, família e tarefas domésticas, representando a carga mental e a multifuncionalidade feminina no setor imobiliário.

 

Aos homens que trabalham conosco, entendam que isto não é sobre feminismo. Em outras palavras, é sobre inteligência de mercado. Uma mulher que domina o mercado imobiliário hoje faz algo que poucos homens conseguem.

 

Ou seja, ela vende um imóvel entendendo a logística da alma e da rotina de quem vai morar lá. A mulher não vende metros quadrados, ela vende soluções de vida. Se pudermos aliviar o “peso desse sutiã” que aperta, quer dizer o julgamento, a dúvida constante e a sobrecarga, todos ganhamos.

 

Porque um mercado, no qual a mulher não precise gastar metade da sua energia apenas para provar que merece estar ali, é um mercado muito mais lucrativo, eficiente e, acima de tudo, humano.

 

Não escrevo isso para confrontar, mas para somar. E, além disso, fazer com que todas as mulheres acreditem, pois ainda falta muito para construir. Estamos apenas engatinhando.

 

O setor avançou um pouco, inclusive o Secovi-SP tem feito um trabalho incrível fortalecendo lideranças femininas. Desejo que esse trabalho sirva de inspiração para outras entidades de classe.

 

Entretanto, ainda há “obras” pendentes. Afinal, precisamos vencer os desafios culturais. E vamos seguir, todos juntos, homens e mulheres. Assim, fazendo desses desafios novas oportunidades para que o mercado seja justo para todos.

 

Quer saber mais sobre a trajetória de Roberta Bigucci e o trabalho inovador da MBigucci? Clique aqui, acesse o site da empresa e inspire-se com histórias de liderança feminina no mercado imobiliário.

 

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Por Roberta Bigucci, Diretora da MBigucci.

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1 comentário
  • Parabéns, Roberta, pela sua trajetória e por expressar de forma tão clara e direta os desafios que você e as mulheres enfrentam, num ambiente que ainda precisa evoluir muito e romper as barreiras culturais. Sempre trabalhei com muitas mulheres. Além da competência que deixaram registrada nos projetos e nas atividades que desenvolveram ou dirigiram, admiro a visão holística, o profissionalismo, a atenção aos detalhes e a aspectos que, geralmente o homem não consegue captar com facilidade. Que o seu artigo inspire a todos nós – homens e mulheres – a superar barreiras e a construir um mundo melhor para todos, sobretudo no setor e construção. Abraço!

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