Do silêncio no metrô de Tóquio ao barulho no Tomorrowland de Itu

6 min de leitura
O palco principal do Tomorrowland Brasil 2025 encanta o público com um espetáculo de luzes, cores e tecnologia, reforçando a grandiosidade e a inovação do festival em Itu.

O Tomorrowland em Itu vai além da música e da grandiosidade: o festival se destaca como um laboratório de práticas ESG, mostrando que é possível unir entretenimento e responsabilidade socioambiental.

 

Imagine sair do silêncio quase meditativo do metrô de Tóquio, onde cada movimento é regido pela ordem e pelo respeito coletivo, e desembarcar no coração pulsante do Tomorrowland em Itu, onde a energia da música eletrônica e a grandiosidade das estruturas desafiam todos os sentidos.

 

Essa transição, do minimalismo japonês à exuberância brasileira, me fez refletir sobre como eventos de grande porte podem – e devem – ser protagonistas de uma agenda ESG autêntica e transformadora.

 

No último artigo, escrevi meu ponto de vista sobre o ESG no Japão e agora vou ao outro extremo. Um evento monumental como o Tomorrowland. Continue comigo nesta coluna para descobrir como sustentabilidade e grandiosidade podem caminhar juntas em um dos maiores festivais do mundo.

 

Palco principal iluminado do Tomorrowland Brasil 2025 em Itu, com milhares de pessoas reunidas ao ar livre durante o festival.
A grandiosidade do palco principal do Tomorrowland Brasil 2025, em Itu, inspira reflexões sobre como unir entretenimento, inovação e responsabilidade ambiental em eventos de grande porte.

 

ESG no Tomorrowland: Desafios e Inovações Ambientais

Como costumo dizer, a sustentabilidade no seu tripé deixou de ser uma tendência e se tornou uma pendência. A sigla ESG (Ambiental, Social e Governança) é o nosso novo norte. O desafio se torna ainda mais evidente quando observamos projetos de escala monumental.

 

Estar no Tomorrowland, em Itu, outubro de 2025, e observar a grandiosidade de seu palco principal, de todos os demais palcos e da estrutura me fez questionar: é possível conciliar uma estrutura tão colossal com uma agenda ESG de fato?

Sim, eu me divirto, mas estou sempre atenta!

 

Fui pesquisar sobre minha dúvida, e o Tomorrowland me respondeu com a sua plataforma global Love Tomorrow, ficando claro que eles transformam o festival em um laboratório de sustentabilidade, com metas ambiciosas para 2030. Os dados mostram que o festival trata o ESG como um compromisso mensurável. Aliás, foi isso que mais me impressionou: a atenção e preocupação com os detalhes acerca do evento.

 

Ambiental (E)

O maior desafio para um evento que monta estruturas tão complexas é a gestão de resíduos e energia:

 

  • Economia circular: a meta global é que 100% dos materiais utilizados nos palcos e na decoração sejam reutilizados pelo menos duas vezes em outros festivais ou eventos, enfrentando o custo ambiental da construção;

 

  • Inovação no consumo: o festival investe em tecnologias como os Smart Cups (RFID) para reduzir a dependência de plásticos de uso único e maximizar a reutilização;

 

  • Mobilidade verde: o foco na redução da pegada de carbono se estende ao público internacional, com os pacotes Global Journey buscando voos operados com pelo menos 30% de Combustível de Aviação Sustentável (SAF).

 

Impacto Social e ESG no Tomorrowland de Itu

Social (S)

A dimensão social é onde o Tomorrowland (Itu) se conecta profundamente com a comunidade, transformando seu impacto financeiro em um legado concreto:

 

  • Impacto econômico local: o festival atua como um motor de desenvolvimento, injetou cerca de R$ 676 milhões na economia local em 2023, e daí para mais nos anos de 2024 e de 2025;

 

  • Geração de emprego e capacitação: o famoso Gentileza gera Gentileza”. De fato, a edição de 2025 ofereceu capacitação gratuita para até 500 pessoas de Itu. Ou seja, para moradores trabalharem no evento, nas áreas de atendimento e operacional de alimentos e bebidas.

 

  • Bem-estar e inclusão: o festival promove o bem-estar do público através do programa de acolhimento United We Care para lidar com discriminação ou assédio.

 

Governança e ESG no Tomorrowland: Legado e Segurança

Governança (G)

A Governança assegura a continuidade do que funciona:

 

  • Legado de infraestrutura: o investimento de mais de R$ 10 milhões em pavimentação e drenagem de rotas de acesso em Itu, realizado em parceria com o Governo do Estado de São Paulo e a Prefeitura de Itu, não apenas otimiza o acesso ao festival, mas deixa um legado permanente para a cidade e a comunidade local.

 

  • Compliance e segurança: o envolvimento do Crea-SP (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo) na fiscalização da montagem da megaestrutura em 2025 assegura que apenas empresas regularizadas e técnicos habilitados estejam à frente das operações, demonstrando um compromisso com a segurança e a governança técnica.

 

O Futuro da Sustentabilidade: Lições do ESG no Tomorrowland

O Tomorrowland em Itu prova que a grandiosidade de um evento não precisa ser sinônimo de irresponsabilidade. Bem como, o festival demonstra que a música eletrônica de alto volume pode, sim, ecoar os princípios de um desenvolvimento verdadeiramente sustentável.

E para quem nunca foi num festival dessa grandiosidade, eu recomendo!

 

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Por Roberta Bigucci, Diretora da MBigucci.

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