Referência nacional, o arquiteto e consultor Eduardo Ronchetti analisa avanços, erros comuns e o impacto estratégico da acessibilidade em projetos urbanos e imobiliários.
Eduardo Ronchetti de Castro é arquiteto, consultor e referência nacional em acessibilidade arquitetônica e urbanística. com mais de 25 anos de atuação no setor.
Além disso, é fundador do Instituto Nacional de Acessibilidade Eduardo Ronchetti (INAER). Também é responsável por capacitar mais de 30.000 profissionais em todo o Brasil, promovendo, dessa maneira, a inclusão e a aplicação rigorosa das normas técnicas em projetos públicos e privados.
Ronchetti é reconhecido por seu método exclusivo de integração da acessibilidade desde a concepção dos projetos, evitando, com isso, retrabalhos e custos extras, e por sua atuação em centenas de laudos e consultorias que transformaram ambientes em espaços verdadeiramente inclusivos.
Além de sua atuação prática, Eduardo Ronchetti é autor de livros, como o recém-lançado “Calçadas Acessíveis no Brasil”, e ministra cursos de pós-graduação em parceria com instituições renomadas, como a Faculdade Focus.
Sua trajetória é marcada pelo compromisso com a excelência técnica, inovação e defesa do desenho universal, tornando-se um dos principais nomes na luta pela acessibilidade como direito, valor de mercado e diferencial competitivo para o setor da construção civil.

Confira a seguir a entrevista completa com Eduardo Ronchetti e descubra como a acessibilidade pode transformar seus projetos e negócios.
Como avalia a evolução da acessibilidade no Brasil desde o início da sua carreira até hoje? Quais avanços mais te marcaram e quais desafios ainda persistem no setor?
Eduardo Ronchetti: Nestes 25 anos, vi o Brasil migrar de uma visão caritativa para uma visão de direito e mercado. O maior avanço foi a consolidação da Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015), que tirou a acessibilidade do campo do “desejo” e a colocou como obrigação legal e social.
O desafio persistente, contudo, é cultural: ainda enfrentamos a barreira do “cumprimento por tabela”, onde se faz o mínimo para não ser multado, em vez de buscar a excelência funcional que a NBR 9050 preconiza.
“A acessibilidade deixou de ser um detalhe construtivo para se tornar o termômetro da civilidade de uma metrópole.”
Como você enxerga o papel das normas técnicas na transformação do mercado e quais pontos ainda precisam de maior atenção ou revisão?
A NBR 9050 é a principal referência técnica para acessibilidade arquitetônica no país. Entretanto, o tema está em constante atualização, inclusive com novas normas digitais — como a NBR 17225.
Eduardo Ronchetti: As normas são a nossa gramática. A NBR 9050/2020 é o alicerce, mas a chegada de normas como a NBR 17225 e as atualizações de 2024 mostram que o mercado digital e o mercado físico estão convergindo.
A atenção deve se voltar agora para a NBR 15599/2008, garantindo que a tecnologia assistiva não seja um apêndice, mas parte integrante do ecossistema urbano. Precisamos de mais rigor na fiscalização da aplicação dessas normas em projetos de retrofit, onde a complexidade é maior.
“Normas técnicas não restringem a arquitetura; elas expandem o público que pode consumi-la.”
Na sua visão, quais são as tendências mais relevantes em acessibilidade arquitetônica para 2026 e como elas impactam o planejamento de cidades e edifícios?
O conceito de desenho universal e a busca por ambientes verdadeiramente inclusivos têm ganhado força, especialmente em grandes projetos urbanos e corporativos.
Eduardo Ronchetti: Conforme definido no Art. 3º da LBI, o conceito de Desenho Universal é a grande tendência que moldará 2026 e 2027. O mercado imobiliário finalmente entendeu que projetar para a diversidade humana, considerando a NBR 15599 (Acessibilidade em Comunicação), valoriza o ativo.
Portanto, veremos edifícios mais inteligentes, onde a circulação é intuitiva e a automação serve à autonomia, eliminando a segregação entre “entrada principal” e “entrada acessível”.
“O futuro da construção civil é humano ou não será sustentável.”

Quais são os principais erros ou equívocos que ainda observa na implantação da acessibilidade em obras públicas e privadas? Como superá-los na prática?
Durante a carreira, Eduardo Ronchetti já capacitou mais de 30.000 profissionais e realizou centenas de projetos e laudos em todo o Brasil.
Eduardo Ronchetti: O erro mais grave que observo nos meus laudos é a execução “cega”. Isto é, instalar equipamentos sem respeitar as dimensões antropométricas da NBR 9050.
Em outras palavras, um corrimão na altura errada ou uma rampa com inclinação superior a 8,33% não é apenas um erro técnico; é uma barreira intransponível. Porém, superamos isso com a especialização. Portanto, não se improvisa acessibilidade. Ela deve ser validada por quem domina a técnica e a prática normativa.
“O erro na acessibilidade custa caro no bolso e ainda mais caro na reputação da marca.”
Como a acessibilidade pode ser integrada desde a concepção dos projetos, evitando retrabalhos e custos extras? Pode citar exemplos de boas práticas ou cases de sucesso?
De fato, o setor da construção civil está cada vez mais pressionado por produtividade, sustentabilidade e inovação.
Eduardo Ronchetti: A acessibilidade integrada desde o “estudo preliminar” custa quase zero. O custo surge no retrabalho, no “quebra-quebra” para corrigir vãos de portas ou inclinações de solo.
No INAER (Instituto Nacional de Acessibilidade Eduardo Ronchetti), defendemos o Método Ronchetti: aplicar a norma como parâmetro de design. Cases de sucesso mostram que shoppings e centros corporativos que investem em rotas acessíveis fluidas aumentam seu tempo de permanência de clientes e, consequentemente, seu faturamento.
“Acessibilidade no papel é economia; acessibilidade no pós-obra é prejuízo.”

Como sensibilizar líderes de construtoras, incorporadoras e investidores para a importância estratégica da acessibilidade nos negócios?
A acessibilidade é frequentemente vista como um custo adicional, e não como um investimento em inclusão e valorização do imóvel.
Eduardo Ronchetti: Falo a língua do investidor, ou seja, mitigação de risco e aumento de LTV (Lifetime Value). Um imóvel inacessível é um imóvel com data de validade vencida, pois exclui a fatia da população que mais cresce: os idosos.
Mostro que o cumprimento da Lei 13.146/2015 protege o síndico e o incorporador de processos judiciais e multas pesadas, transformando conformidade em selo de qualidade.
“Não vendemos rampas; vendemos a garantia jurídica e a valorização real do patrimônio.”
Quais competências e conhecimentos são indispensáveis hoje para atuar com excelência em acessibilidade arquitetônica? E como o INAER tem contribuído para a formação e atualização desses profissionais?
Eduardo Ronchetti: Por fim, para quem deseja se aprofundar no tema, o profissional de excelência hoje precisa dominar a tríade: Norma, Lei e Empatia. Não basta decorar a NBR 9050, é preciso entender a lógica do usuário.
O INAER tem sido o farol dessa transformação, capacitando mais de 30.000 profissionais com foco prático, tirando a acessibilidade da teoria e levando-a para o canteiro de obras e para o board das empresas.
“Capacitar-se em acessibilidade é adquirir a visão necessária para projetar um mundo onde todos cabem.”
A entrevista com Eduardo Ronchetti deixa claro: acessibilidade não é apenas uma exigência legal, mas um diferencial estratégico e um compromisso com a sociedade.
Integrar a acessibilidade desde o início dos projetos, investir em capacitação e adotar o desenho universal são caminhos para cidades mais humanas, negócios mais valorizados e marcas mais respeitadas. Afinal, o futuro da construção civil passa, necessariamente, pela inclusão.
Portanto, quer saber mais sobre o Método Ronchetti e as soluções do INAER para projetos acessíveis? Clique aqui e acesse o site do Instituto Nacional de Acessibilidade Eduardo Ronchetti.
Por fim, acompanhe as próximas edições da coluna Matéria de Mercado e fique por dentro das principais tendências, entrevistas e novidades do setor. Portanto, visite o portal do C3 – O Clube da Construção Civil.
