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Ações ESG trazem sustentabilidade e diferencial estratégico ao setor AEC

A adoção de práticas sustentáveis na indústria da construção civil tornou-se uma necessidade premente, não apenas como um gesto de responsabilidade ambiental, mas também como uma estratégia para conquistar mercados e atrair investimentos. Um levantamento realizado pelo Centro de Tecnologia de Edificações (CTE) em parceria com a Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) revelou que a agenda ESG (Ambiental, Social e de Governança) está no centro das atenções de investidores e líderes do setor.

Dos 27 empreendimentos consultados, surpreendentes 71% afirmaram já estar adotando diversas medidas relacionadas à sustentabilidade ambiental, social e de governança corporativa, enquanto os restantes 29% estão em estágios iniciais de implementação dessas práticas. Essa tendência demonstra uma mudança significativa na mentalidade das empresas da construção civil, que agora reconhecem a importância de temas como a preservação da biodiversidade, eficiência energética e a redução das emissões de gases de efeito estufa em seus negócios.

A necessidade de transparência, ética e responsabilidade na gestão também se destaca como um elemento crucial nesse movimento em direção à sustentabilidade. Isso reflete a conscientização de que a construção civil desempenha um papel vital na promoção de práticas ambientalmente responsáveis.

Um exemplo notável desse comprometimento com a sustentabilidade é a Direcional Engenharia, que realizou uma emissão de títulos de dívida com rótulo social, direcionando os recursos arrecadados para habitações de interessa social das faixas 1 e 2 MCMV.

“Temos um processo construtivo de grande relevância do ponto de vista da sustentabilidade. Os projetos contemplam soluções de uso eficiente de água e energia tanto em áreas comuns quanto em apartamentos”, comenta Paulo Sousa, diretor de relações com investidores.

Outra empresa que abraçou o desafio da sustentabilidade é a Tenda, por meio de sua divisão Alea, que utiliza a tecnologia “wood frame” na produção de casas pré-fabricadas, reduzindo significativamente a pegada de carbono em comparação com métodos tradicionais de construção. Essa abordagem ambientalmente consciente está alinhada com uma tendência crescente no setor de construção, que reconhece o potencial das construções em madeira para sequestrar carbono.

As paredes e partes do telhado são produzidas na unidade fabril, em Jaguariúna (SP), e transportadas para os canteiros das obras apenas para montagem e acabamento. “Estima-se que uma habitação de ‘wood frame’ reduza em 15 toneladas a pegada de carbono de uma casa de parede de concreto”, diz Alex Hamada, diretor administrativo da Alea.

Processos produtivos aliados a tecnologias limpas estão também na cadeia de suprimentos da construção civil. Segundo o presidente do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) e da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), Paulo Camillo Penna, o setor está engajado na descarbonização ao definir uma meta de chegar em 2050 empregando 55% de combustíveis alternativos em sua matriz energética, reduzindo 33% de sua emissão até o mesmo ano.

“A agenda de carbono é o maior e mais importante compromisso com o meio ambiente já firmado pela indústria do cimento”, ressalta Penna.

Fonte: Valor Econômico | O Globo

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