Colunistas Leandro Martorani

A importância de movimentar-se conforme o mercado

Por Leandro Martorani

Em abril deste ano, escrevi para o C3 um artigo que falava sobre o aumento das buscas de imóveis, fora dos grandes centros urbanos. Este material surgiu de uma conversa, ainda no início daquele mês, com meu amigo, cliente e guru, DW, um empresário muito atento às movimentações de mercado. Ele me despertou para o assunto, que já era existente entre as buscas de imóveis em nosso site e publicidades, mas que eu ainda não havia percebido.

Naquele momento, no início dos reflexos causados pela quarentena, as moedas fortes, como o Euro e o Dólar, estavam disparando, o que geralmente, no curto prazo, traz consequências negativas para nosso principal negócio, a venda de imóveis internacionais.

Claramente, quando as moedas estão voláteis, os compradores esperam para tomar suas decisões, movimento que diretamente represa as vendas.

Neste caso, a indicação do amigo, somada ao que estávamos vendo e começando a sofrer, fez com que resolvêssemos olhar para duas novas oportunidades. A primeira, reforçar as vendas de imóveis no Brasil para nossos clientes, que não poderiam viajar, por conta das restrições nas fronteiras internacionais, e que também não estavam seguros com a volatilidade do câmbio. A segunda, foi abrir um novo mercado, o de brasileiros e estrangeiros com ligação com o Brasil, que vivem em países em que a moeda estava forte.

Os meses foram passando e vimos nossas apostas se consolidarem, com muitos veículos de mídia começando a falar sobre o “êxodo urbano”. O assunto ganhou o mundo e a movimentação ganhou o mercado, fazendo com que a direção das coisas mudassem. Vimos a procura por imóveis em São Paulo diminuir, enquanto no interior eram buscados com na “corrida do ouro”. Condomínios chegaram a ficar sem nenhuma unidade à venda, com compradores em “fila de espera”. Vimos vendedores diminuírem os preços dos imóveis em Manhattan enquanto a ocupação nos Hamptons disparava, juntamente com seus preços, e assim foi em muitos de outros mercados que atuamos: Itália, Suíça, Portugal…

Isso tudo veio com muita força, fazendo com que aquele sítio e aquela casa de praia, que só davam despesas, se tornassem objetos de desejo dos quem tinham que ficar em apartamentos apertados. A necessidade de trabalhar em casa, fez todos repensarem que talvez o espaço tenha mais valor que a localização. E assim, como tudo que acontece de uma hora para outra, uma onda se formou fazendo com que todos corressem para o mesmo lado e, automaticamente, fazendo com que os preços acompanhassem as demandas.

A lei de oferta e demanda, somada à escassez de território, foram sempre alguns dos maiores balizadores de preços dos imóveis. Desta vez, não foi diferente. Contudo, como acontece com todas as ”ondas” ou “modas”, depois da tempestade começa chegar a calmaria.

Não acredito que já estejamos na calmaria, contudo, as coisas começam a se consolidar. Percebo que nem todos aqueles que buscaram imóveis no interior ou na praia, achando que lá viveriam, irão de fato poder fazer isso. A grande maioria descobriu que ainda precisa viver em grandes centros, o que não muda o desejo de quererem continuar a ter um espaço para “respirar- mas já o faz avaliar a situação com mais calma. Quem dizia que o Home office veio de fato para substituir o trabalho presencial, descobriu que, para algumas atividades e pessoas, o melhor é ter um lugar para poder se focar em suas atividades profissionais.

Da mesma forma, muitos vendedores, conseguiram valorizar suas propriedades, que ganharam expressiva demanda, algumas mais, outras menos, sempre muito balizadas pela escassez de áreas que, neste caso, podemos chamar de escassez de áreas prontas para o uso. Contudo, os acreditavam em oportunidades de bom preço, pela falta de dinheiro circulando, ou que era o momento de ganhar todo dinheiro de suas vidas e colocaram a ganância em prática , acabaram não conseguindo “surfar” nesta onda, por um simples motivo: independente da euforia que o mercado possa causar, com o expressivo aumento do número de leads e visitas nos imóveis, poucos serão os desavisados que vão pagar muito mais do que uma propriedade realmente vale.

Não posso afirmar que estamos realmente chegando no momento de acomodação, até porque nosso dia a dia ainda não está organizado e, acredito que não estará enquanto o COVID-19 fizer parte de nossas vidas. Contudo, sabemos que o vírus realmente movimentou e está movimentando o mercado, fazendo com que muitos reavaliem suas vidas e negócios. Independente de qual seja a conclusão, mudar ou manter, acredito que depois de um grande momento de reflexão, compradores e vendedores vão perceber a importância de acompanhar o mercado e, consequentemente, o comportamento e necessidades das pessoas, sempre com muita atenção.

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