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Entrevista com diretor presidente da Eliane é destaque no Diário Catarinense e Portal NSC Total

(Foto: Rubens Angelotti/divulgação) Por Estela Benetti – 24/11/2018

O diretor presidente da Eliane, Edson Gaidzinski Jr, concedeu entrevista na última sexta-feira, dia 23, à jornalista Estela Benetti. No bate-papo, Edson comentou sobre a aquisição da Eliane pela Mohawk Industries, faturamentos em 2018 e expectativa para o futuro. A entrevista foi publicada no jornal Diário Catarinense e no Portal NSC Total.

 

Confira na íntegra

 

O mercado foi surpreendido há cerca de um mês com a venda da Eliane Revestimentos Cerâmicos – uma das principais empresas do setor nas Américas – para a líder mundial, a multinacional americana Mohawk Industries. O valor da transação ficou em US$ 250 milhões (R$ 954 milhões em valores desta sexta-feira).

 

A família Gaidzinski, fundadora e principal acionista da empresa que tem sede em Cocal do Sul, SC, e unidade em Camaçari, na Bahia, tinha plano de venda e recebeu uma boa oferta.

 

O dono do capital mudou, mas a gestão continua a mesma, tendo à frente o empresário Edson Gaidzinski Junior, da terceira geração dos fundadores. Segundo ele, uma das razões da venda é que o grupo maior poderá investir mais e já definiu que destinará US$ 63 milhões (R$ 241 milhões) na aquisição de novas máquinas industriais.

 

Por que a família Gaidzinski decidiu vender a empresa?

Edson Gaidzinski Junior: São três motivos. O primeiro foi uma boa proposta de aquisição. A avaliação da empresa foi considerada boa, tanto pela família quanto pelo nosso sócio private equity do grupo Itaú, o fundo Kinea, que detinha 25% da empresa. Outro motivo é clássico, a capacidade de investimento. Uma empresa como a Mohawk, que está na 43ª aquisição dos últimos 15 anos, aumenta muito a capacidade de investimento. Era isso que eu estava buscando. Você tem maior investimento em produto e inovação, o que eleva a competitividade. O nosso setor é complicado em alguns assuntos. A Eliane é um benchmarking como empresa correta. Temos aqui uma escola que há 35 anos forma técnicos em cerâmica (o Colégio Maximiliano Gaidzinski). Inclui todas as características técnicas e o entendimento em cerâmica porque a gente forma alunos que vão para o setor como um todo. A Mohawk viu esse diferencial de formação técnica e o potencial de investimentos. E o terceiro e último motivo é bem pessoal: a longevidade da marca. A Eliane vai completar 60 anos agora. O meu sonho é que essa marca fique aqui pelo menos mais 60 anos. Foi fundada pelo meu avô em 1960, enfrentou muitas dificuldades, superou tudo, por isso a perenidade da marca é muito importante. Atuamos com a marca Eliane em mais de 60 países.

 

Vocês exportam sempre com a marca Eliane?

Gaidzinski: Temos duas marcas, a Eliane e a Decortiles. Exportamos as duas. A Decortiles é para boutiques, tem uma política comercial diferenciada e é mais recente. Os americanos reconheceram o valor das nossas marcas. Nós temos uma presença a nível de mundo desde a década de 80. Exportamos para a América do Norte, América do Sul, Europa e Oriente Médio. Faz parte da nossa política manter um percentual de exportação.

 

Qual será o faturamento da Eliane este ano e quanto por cento virá do exterior?

Gaidzinski: Nosso faturamento, este ano, vai superar R$ 1 bilhão. Estamos crescendo 6%. No ano passado alcançamos R$ 940 milhões, com crescimento de 5%. Do total, 15% vem das exportações. A nossa meta é obter 20% do faturamento no exterior. Acreditamos que o cenário é de crescimento, especialmente no Brasil. O país tem um déficit habitacional superior a 7 milhões de unidades habitacionais. É um potencial enorme, sem contar outros imóveis comerciais, industriais e de infraestrutura.

 

Como fica a gestão da empresa agora sob o controle do grupo americano Mohawk?

Gaidzinski: A Eliane é tratada como uma subsidiária independente. É o primeiro investimento deles no hemisfério sul. Fizeram aquisições na Europa e na Rússia. Eles iniciaram o processo de cerâmica nos EUA em 2001. Com essa aquisição eles vieram para o terceiro maior mercado do mundo de revestimentos cerâmicos, não só em produção, mas também em consumo, que fica só atrás da China e Índia. Por ser uma subsidiária independente, eles contrataram o time que já atuava na empresa. Eu tenho uma diretoria comercial, uma diretoria industrial e uma diretoria administrativa-financeira e, agora, temos uma diretoria de planejamento. Todos respondem para o diretor presidente, que sou eu.

O que a empresa está prevendo para investimentos no próximo ano?

Gaidzinski: Vamos investir US$ 63 milhões (R$ 241 milhões) no ano que vem. Estamos aprovando esses investimentos. Esses recursos serão destinados para aquisição de equipamentos para fazer linhas de porcelanato de formatos grandes, que fazem parte da nossa visão ser líder nacional em porcelanato com soluções completas, coordenadas e inovadoras. O Brasil tem um mercado que demanda formatos grandes. Faremos os investimentos em Camaçari e em Cocal do Sul no ano que vem e esperamos estar com as linhas prontas, operando, em 2020.

A gestão das pessoas mudará com a troca de controlador?

Gaidzinski: Não muda. A razão são os nossos valores que foram escritos quando assumi em 2006 e estão intrínsecos na empresa, que são a ética, a disciplina, a simplicidade, o crescimento sustentável e a inovação. Foi exatamente isso que a Mowhak entendeu. Somos uma empresa ética na questão fiscal e nas características de produtos. Respeitamos os clientes, os sócios, atuamos com simplicidade, buscamos a inovação. Buscamos o bom relacionamento com todos os stakeholders. Não esquecemos que estamos no mercado desde 1960. O primeiro azulejo decorado do país foi feito aqui, o primeiro porcelanato foi feito aqui, o primeiro monoporosa (azulejo de uma queima só) foi feito aqui. Nós vamos seguir buscando inovação. A escola fica com a família, mas a empresa vai continuar investindo nela.

Com os investimentos serão abertos novos postos de trabalho?

Gaidzinski: Com esses novos investimentos vamos manter a atual equipe (cerca de 2,6 mil trabalhadores) e devemos contratar mais pessoas. Mas não será para logo. O nosso setor demora para implantar um investimento. Uma máquina exige quase um ano para montagem, até entrar em operação.

Qual é o maior obstáculo para produzir revestimentos cerâmicos no Brasil?

Gaidzinski: É o preço da energia. Nossa maior despesa é a conta do gás natural. Enquanto não houver uma política de energia para o país, vamos continuar com esse problema. Falta definir qual será a matriz energética do país, uma política clara, que mostra o longo prazo. Esperamos que o novo governo olhe isso.

 

Fonte: https://www.nsctotal.com.br/colunistas/estela-benetti/vamos-investir-us-63-milhoes-no-ano-que-vem-diz-presidente-da-eliane

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