Sem governança, a inteligência artificial pode transformar inovação em prejuízo para construtoras e incorporadoras. Confira a coluna exclusiva de Renato Ferreira, COO da Tess, para o C3.
Na construção civil, operamos com orçamentos rigorosos. Ninguém aprova um projeto sem prever o custo do aço, do concreto e da mão de obra. No entanto, quando o assunto é inteligência artificial, vejo construtoras cometendo um erro primário: assinar cheques em branco.
O Vale do Silício já deu um nome para esse novo pesadelo: o “token maxxing”, o consumo descontrolado de créditos de IA. Agora, vivemos um paradoxo. Toda empresa deveria oferecer IA para suas equipes otimizarem a análise de contratos ou o diário de obra.
Porém, os gestores têm um medo justificado de liberar o acesso e os custos explodirem. Dessa maneira, o erro começa quando a inovação se resume a contratar assinaturas de um único modelo e distribuí-las. Ao fazer isso, a empresa fica refém da tecnologia, sem flexibilidade ou visibilidade de gastos.
Descubra como a governança em IA pode proteger sua empresa e garantir produtividade sustentável. Continue lendo a coluna de Renato Ferreira, para entender os caminhos práticos para o setor.

IA com governança: o novo centro de custo da construção civil
A resposta para escalar não está em frear a tecnologia, mas em construir governança. Assim como gerenciamos o centro de custo de uma obra, precisamos gerenciar o consumo das aplicações autônomas, estabelecendo limites de orçamento por agente ou equipe.
Isso exige estabelecer limites claros de orçamento por agente, pessoa ou equipe. Qualquer custo extra precisa ser justificado, como um aditivo contratual. Além disso, a governança resolve o problema crítico do acesso à informação.
Afinal, uma plataforma enterprise real permite restringir conectores de forma cirúrgica. O engenheiro no canteiro não precisa ter sua IA conectada ao CRM de vendas ou ao data lake financeiro da incorporadora para fazer o seu trabalho.
Da mesma forma, o departamento jurídico não precisa de liberação para usar modelos caros de geração de vídeo. Portanto, cada usuário só deve acessar o que é estritamente necessário para sua função.
Como a IA com governança evita desperdícios e aumenta a eficiência
Outro ponto cego é o desperdício ao usar os modelos mais sofisticados para qualquer atividade. Existem, porém, alternativas mais baratas e igualmente capazes para rotinas simples.
A orquestração correta blinda a operação e garante o melhor custo-benefício. A adoção de IA em escala só ocorrerá com o conforto financeiro e operacional da diretoria.
Por fim, transparência, rastreabilidade e controle não são burocracias, são os pilares da segurança corporativa. Sem governança, a tecnologia é apenas um custo imprevisível. Com ela, torna-se a maior alavanca de produtividade do nosso mercado.
Por Renato Ferreira, COO da Tess.

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