Negócios

Vacância de escritórios em SP tende a ascender com pandemia

Relação entre as áreas vagas e o estoque total pode atingir 15% no fim do ano, contra 13% em dezembro de 2019.

A taxa de vacância de escritórios comerciais de alto padrão deve voltar a crescer, no mercado paulistano, em 2020, devido à maior cautela das empresas ocupantes na expansão de áreas alugadas, na avaliação do presidente da Colliers International Brasil, Ricardo Betancourt.

Nos cálculos do executivo, o indicador que mede a relação entre as áreas vagas e o estoque total de escritórios deve ser de cerca de 15%, em dezembro, ante os 13% do fechamento de 2019, interrompendo a tendência de queda dos últimos anos.

“Teremos aumento da vacância, destoando da curva de recuperação”, disse Betancourt em entrevista ao site Valor.

A previsão, antes do início da pandemia de covid-19, era que a taxa de vacância seria de 9%, no fechamento de 2020, como consequência da absorção líquida (contratações menos devoluções de áreas) de 200 mil metros quadrados. Com os efeitos da pandemia de covid-19 na economia, o executivo passou a ter percepção que a absorção líquida será de 100 mil metros quadrados, metade do estimado inicialmente. Para este ano, estão previstas entregas de 167 mil metros quadrados, abaixo dos 212 mil metros quadrados de 2019.

No fim de 2016, a taxa de vacância de escritórios A e A+ ficou em 25% no mercado paulistano, conforme levantamento da Colliers. Em 2017, caiu para 21% e, em 2018, para 19%. No primeiro trimestre deste ano, o indicador fechou em 13%, mesmo patamar do encerramento de 2019, mas ficou inferior a um dígito em algumas regiões.

Vacância por região:

Faria Lima – 6%;

Berrini – 8%;

Pinheiros – 2%”

No Itaim Bibi e na Juscelino Kubitschek, não há vacância, de acordo com o executivo. A absorção bruta do mercado paulistano foi de 31 mil metros quadrados, e o preço médio pedido por metro quadrado, R$ 80.

Prédios comerciais, bairro Itaim Bibi, SP. Créditos: Divulgação.

Justamente pela baixa disponibilidade de escritórios de alto padrão em algumas regiões é que, no consolidado do mercado paulistano, as absorções bruta e líquida dos imóveis de classe B superaram as dos padrões A e A+, chegando, respectivamente, a 50 mil metros quadrados e 24 mil metros quadrados. A procura por prédios B pode aumentar, segundo o executivo, por parte de empresas que, diante das incertezas provocadas pela crise, optem pela redução de custos.

No mercado, há muitas discussões a respeito dos rumos do segmento de escritórios comerciais, considerando-se que parcela relevante das pessoas está trabalhando em sistema de “home office” por causa da quarentena. Betancourt reconhece que isso poderá resultar em devolução de parte das áreas ocupadas pelas empresas, mas ressalta que, por questões sanitárias, é possível que aumente a exigência que as pessoas fiquem mais distantes umas das outras no ambiente de trabalho. O espaço mínimo de 7 metros quadrados por ocupante poderá ser ampliado, levando as empresas a terem de aumentar o espaço contratado após a pandemia.

O segmento de galpões, a taxa de vacância ficou em 17% no fechamento do primeiro trimestre, de acordo com pesquisa da Colliers, patamar praticamente estável ante o do trimestre anterior. As entregas somaram 249 mil metros quadrados, e houve absorção líquida de 220 mil metros quadrados. “Foi uma absorção líquida muito forte para um primeiro trimestre, mas o ritmo não deve se manter daqui para frente”, diz Betancourt.

Créditos: Divulgação.

No entendimento do executivo, apesar do aumento das vendas por parte dos canais de comércio eletrônico, tem havido queda da comercialização do varejo físico, resultando em manutenção do volume a ser produzido e armazenado. “Há uma readequação dos canais de distribuição”, diz. O presidente da Colliers estima que a taxa de vacância de galpões terá aumento de dois pontos percentuais, como consequência da retração de setores como o automotivo.

O que se espera, segundo Betancourt, é que haja grande absorção bruta decorrente da migração de ocupantes para galpões melhor localizados e mais modernos, movimento conhecido como “flight to quality” no jargão do setor.

Fonte: Site Valor Econômico

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