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Segunda etapa de despoluição do Rio Pinheiros conta com tecnologia inovadora na América Latina

A máquina shield será utilizada na próxima etapa de despoluição na área do córrego Pirajuçara.

Em continuidade ao projeto de despoluição do córrego Pirajuçara, o Governo do Estado de São Paulo, reforçou neste mês a parceria com a empresa de engenharia, Passarelli. A área destinada para essa nova etapa abrange os Municípios de São Paulo, Taboão da Serra e Embu das Artes, que será gerenciada pela Sabesp. A novidade será a utilização de uma tecnologia no setor de escavações com grande profundidade, máquina shield para solo, existem poucas máquinas iguais a essa, no Brasil e na América Latina, capaz de escavar em rocha.

A empresa será responsável pela execução das obras necessárias para que haja uma significativa redução de lançamento de esgoto residencial no Córrego Pirajuçara.

Para compreender mais sobre essa nova tecnologia, o Portal C3 conversou com o César Laragnoit, da Diretoria Comercial da Passarelli.

Créditos: Passarelli.

“Nossa meta será a de destinar, em 24 meses, pelo menos 105.832 economias para o tratamento adequado, através de obras estruturantes (extensos coletores e várias interligações) e obras de ligações domiciliares e redes de esgoto para um grande número de residências. Isso requer um trabalho eficiente de logística, de aplicação de tecnologia de ponta, bem como ações sociais para conscientização dos moradores da região sobre a importância e o benefício de ter seu esgoto coletado”, explica César Laragnoit da Diretoria Comercial da Passarelli.

A outra meta do contrato é a da redução da Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO). Após a conclusão das obras e do processo de coleta e destinação do esgoto para tratamento, o DBO a ser apurado, deverá ser menor que 75 miligramas por litro, o que está diretamente relacionado à melhora da qualidade das águas do Rio Pinheiros.

Serão executados 27.496 metros de coletores-tronco e interligações, 9.152 metros de redes de esgoto, 12.789 ligações de esgoto (domiciliares/avulsas) e 202 interligações no sistema existente. Além disso, serão instalados medidores para monitoramento geral de performance e as novas conexões serão cadastradas e as clandestinas regularizadas. Essa obra não só ajudará na despoluição do Rio Pinheiros, mas também contribuirá para a melhoria do saneamento básico e saúde da população das regiões periféricas de São Paulo. “As intervenções que realizaremos na Bacia do Alto Pirajuçara, assim como as que estão sendo realizadas na Bacias do Pedreiras/Olaria, além de melhorar a qualidade da água dos afluentes do rio Pinheiros, trarão melhores condições de saúde para toda a população residente nessas áreas”, complementa César.

Na prática

Créditos: Divulgação.

“A tecnologia abrirá dois poços de serviço, um de emboque e o de desemboque em cada ponta do trajeto previamente definido. A máquina é posicionada no poço de emboque escavado e inicia os trabalhos construindo o túnel até chegar do outro lado no desemboque. Enquanto o shield avança, o material escavado é removido através de um sistema de bombeamento e armazenado nos tanques de decantação na superfície e posteriormente enviado a um bota-fora. Ao mesmo tempo em que o shield avança, tubos de concreto são instalados na traseira e cravados um a um por um sistema de macaqueamento hidráulico (pipe jacking) até a conclusão do túnel”, explica Cesar Laragnoit.

Entre as principais vantagens do (MND): reduzem consideravelmente a perturbação no tráfego, áreas de trabalho e áreas congestionadas; Menor volume de solo escavado (bota fora) e minimizam os danos ao pavimento e as outras utilidades; Limpeza e redução de transtornos; Baixo índice de impacto social, econômico e ambiental; Redução em vibração, barulho, poeira e minimizam problemas com a segurança local e dos pedestres.

Obra em vala a céu aberto em metodologia não destrutiva . Créditos: Passarelli.

Segundo dados da Sabesp, na bacia do Alto Pirajuçara são gerados efluentes por quase 147 mil economias. Hoje, aproximadamente 77 % (112.966 economias) são coletados, mas apenas 7.794 economias (6,9%) vão para tratamento, ou seja, 93,1% são lançados diretamente nos córregos. Quase 34 mil economias não são sequer coletadas e, desse total, o contrato exige que pelo menos 17.662 economias sofram intervenções diretas através de novas ligações domiciliares e que novas redes de esgoto sejam construídas para que possam encaminhar os dejetos para os coletores existentes e para os novos a serem criados. Hoje mais de 105 mil economias são lançadas diretamente no Rio Pinheiros. Com a conclusão do projeto serão encaminhadas à Estação de Tratamento de Esgoto de Barueri

Canteiro avançado, escavação do poço de serviço, RJ. Créditos: Passarelli.

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