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Perdemos mais um!

Perdemos mais um!

É sempre triste para a arquitetura quando perdemos um grande talento. Mas perder o acervo destes profissionais é como perder duas vezes o talento deles e isto é o que vem acontecendo.

Após a informação de que o acervo de Paulo Mendes da Rocha foi totalmente doado para a Casa de Arquitectura de Portugal, esta semana recebemos a informação que o acervo de outro importante arquiteto também está lá: Lúcio Costa.

Apesar das controvérsias, para a família como o acervo é particular houve um entendimento que não haveria o motivo de expor tal situação, uma vez que pesou na decisão a forma como estes acervos serão cuidados e a falta de consciência na preservação destes materiais no Brasil.

Fato é que desde a morte do arquiteto, em 1998, os materiais estavam abrigados no Instituto Antonio Carlos Jobim, no Rio. Em 2019 o local passou por uma reestruturação jurídica e, a partir de então foi avaliado que seriam muito altos os custos para a manutenção do acervo no espaço e então a família então foi informada que precisaria retirar o material até o final do ano.

Desde 2020 o material tem sido encaminhado para a Casa de Arquitectura e esta semana foi oficialmente informado que o acervo agora está todo em Portugal.

Esta doação engloba cerca de 11 000 documentos simples, um conjunto documental produzido e acumulado, entre 1910 e 1998, no âmbito das atividades exercidas por Lucio Costa no domínio da arquitetura, quer como profissional liberal, quer como diretor da Divisão de Estudos e Tombamentos, do Serviço de Património Histórico e artístico Nacional (SPHAN), hoje Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). 

Incluindo até mesmo cartas, trocadas entre o arquiteto e outros grandes nomes da arquitetura como Le CorbusierOscar Niemeyer.

Em nota oficial a Casa de Arquitectura informou que toda a documentação está sendo tratada e digitalizada para estar disponível on-line no ano que vem. “A Casa fica responsável pela preservação do acervo nas melhores condições nas cinco áreas de arquivo e vai fazer a gestão da política dos empréstimos de diversos elementos para múltiplas utilizações — exposições, publicações e outras formas de divulgação da obra. A Casa compromete-se ainda a manter acessíveis os suportes físicos que podem ser consultados na Casa da Arquitectura mediante marcação prévia”.

Apenas nos resta a esperança de que estejam acessíveis em breve para o maior número de pessoas poderem conhecer o seu trabalho e o seu talento.

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