Mercado

Mercado imobiliário terá grandes desafios

Na ponta final da cadeia produtiva da construção civil, o setor imobiliário também se esforça para entender os novos tempos promovidos pelo novo coronavírus e traçar estratégias para o pós-crise.

A necessidade de manter o mercado aquecido e entregar produtos que atendam às novas necessidades dos clientes – compradores e locadores – está na pauta do dia.

Segundo a presidente da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), Cássia Ximenes, o mercado imobiliário está se posicionando para superar esse momento e continuar sendo um porto seguro para os investimentos pós-Covid 19.

“Nas incertezas do mercado financeiro, o imobiliário oferece segurança. Mais do que nunca as pessoas estão vivenciando suas residências e o quanto é importante investir nos lugares que elas moram. Acredito na valorização das residências multigeracionais, com capacidade de abrigar pessoas de diferentes gerações. O mercado será aquecido pela dinâmica da vida e das oportunidades de investimento, inclusive, revalorizando os imóveis residenciais. Ao longo da história, os investidores preferiram os comerciais, mas, com o crescimento do home office, essa realidade pode mudar. Tudo isso impulsionado pela queda na taxa de juros e a abertura de linhas de crédito especiais que já aconteceram e ainda podem crescer”, afirma Cássia Ximenes.

Créditos: Divulgação.

De outro lado, imóveis corporativos também devem ser reconfigurados diminuindo de tamanho e ganhando tecnologia, o que inclui até pontos de pouso para drones. Ao mesmo tempo, imóveis residenciais pequenos e bem localizados podem ganhar um novo sentido atendendo quem precisar passar os dias úteis bem perto do trabalho e voltar para o lar apenas no fim de semana ou em dias de folga.

“Havia uma tendência de imóveis desse tipo crescente, mas a pandemia vai fazer com que esse uso seja reavaliado. A alternativa deles não serem usados como moradia da família, mas como um ponto de apoio para quem não quer ou não deve voltar para casa todos os dias é uma grande possibilidade”, pontua a presidente da CMI/Secovi-MG.

Todas essas mudanças, porém, devem obedecer a critérios estabelecidos pelo Plano Diretor de cada município. Em Belo Horizonte, um novo regramento (Lei 11.181/2019) foi sancionado em agosto de 2019 e entrou em vigor em fevereiro de 2020, depois de quatro anos de discussões. A legislação visa o ordenamento do desenvolvimento urbano da cidade, além de facilitar a urbanização de ocupações e de preservar áreas ambientais.

Para o arquiteto, urbanista e diretor da Bloc Arquitetura e Empreendimentos, Alexandre Nagazawa, o ordenamento da Capital propicia o atendimento pleno das novas necessidades da população na medida que premia as construções que valorizam as áreas de fruição e promovem maior qualidade ambiental da cidade com uso de fachadas ativas e pisos permeáveis, entre outros itens. O Plano prevê que a adoção desses itens pode gerar um desconto na outorga dos novos empreendimentos.

“O Plano Diretor tem tudo para ajudar na medida que ele cuida da cidade. As pessoas vão, cada vez mais, se importar com a qualidade do ambiente”, destaca Nagazawa.

Do outro lado, a presidente da CMI/Secovi prevê dificuldades e prega a revisão do Plano Diretor de maneira emergencial. “Começamos um grupo de estudos sobre o impacto de tudo isso sobre o Plano Diretor. Ele deve ser revisto. O mercado se autorregula, as pessoas se adaptam e a legislação hoje dificulta e encarece as construções”, aponta Cássia Ximenes.

Canais de venda on-line ditarão novo modelo de relacionamento

Créditos: Divulgação

As regras de distanciamento social impostas para tentar diminuir a disseminação do Covid-19 no Brasil, a partir de meados de março, atingiram em cheio os departamentos comerciais de todos os setores econômicos. Com maior ou menor agilidade todos estão em processo de reinvenção, mas aqueles mais tradicionais e com menos presença nas mídias digitais são os que mais estão sofrendo.

Construção civil e mercado imobiliário fazem parte desse grupo. Usuários pouco frequentes em ferramentas on-line e pouco acostumados com as redes sociais, imobiliárias e corretores estão se transformando em verdadeiras plataformas digitais. E para que tudo isso dê certo, o ritmo das mudanças nos processos é frenético.

A diretora da Orcasa Netmóveis, Flávia Vieira, avalia que a mudança no comportamento do consumidor – seja ele comprador ou locador – já aconteceu e não voltará ao que era antes. Assim como aconteceu em outros setores, o consumidor que aprendeu a usar e a confiar nos canais on-line não deixará de utilizá-los e poderá compor uma lista de opções de como e em qual situação irá preferir cada um dos canais disponíveis. Nesse novo modo de operar, a figura do corretor cresce em grau de importância.

“A apresentação virtual dos imóveis será uma coisa corriqueira. No passado eu não acreditava que alguém compraria sapatos sem experimentar. Hoje comprar sapatos on-line é uma coisa cotidiana. O mesmo começa a acontecer com os imóveis. As pessoas vão comprar e alugar com o menor número de visitas possível. Assim, existe uma necessidade enorme do desenvolvimento da apresentação virtual para dar segurança ao processo de compra. O papel do corretor será deixar o consumidor seguro e confortável durante a operação”, explica Flávia Vieira.

Processo de digitalização – Assim como acontece com o setor de turismo, o mercado imobiliário também é um mercado de confiança, onde a indicação vale muito. O processo de digitalização das negociações também deve levar a avaliação das empresas para o mundo virtual. A reputação, tão cara em qualquer setor, será ainda mais determinante no “novo normal” das imobiliárias.

Para o diretor da RB Imóveis, Reinaldo Branco, o setor imobiliário precisa entender com rapidez o funcionamento e a importância dos aplicativos voltados para venda e dos sistemas de gestão imobiliária on-line.

“Temos que tornar os aparatos digitais o mais assertivos possível, evitando ao máximo as visitas físicas. Ainda vemos muito amadorismo do setor no ambiente virtual. São fotos desfocadas, feitas em ângulos que não mostram nada, descrições mal redigidas, erros de português, poucos dados, ou seja, uma falta de cuidado com o que é básico e tão determinante são comuns. É preciso profissionalismo para conquistar o consumidor.

As ferramentas digitais já se tornaram imprescindíveis para a conclusão dos negócios nesse novo cenário”, aponta Branco.

A experiência da Apto já começou digital. A plataforma conecta, desde 2015, potenciais compradores de imóveis novos a construtoras e empreendimento. Segundo o CEO da Apto, Alex Frachetta, construtoras e imobiliárias costumam ser lentas no processo de inovação e, por isso, a maioria tem pouca presença digital. A expectativa é de que esse perfil mude rapidamente.

Temos que dar assertividade ao processo. Garantir que a pessoa só vá conhecer pessoalmente os imóveis que realmente atenderem às suas necessidades”, afirma Frachetta.

O futuro parece, realmente, já ter chegado. O diretor Comercial e de Marketing do Grupo Patrimar, Lucas Couto, já relata a venda de um imóvel do programa “Minha casa, minha vida”, totalmente via internet. A jornada do cliente agora é multicanal.

Fonte: Diário do Comércio.

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