Mercado

Hora de ajustar as velas

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Depois de um período de grande expansão nos últimos anos, com incorporadoras e fabricantes de material de construção comemorando alta nas vendas, chegamos ao mês de abril onde os números sinalizam uma mudança nos ventos e avisa ao mercado que é hora de ajustar as velas.

Em 2020, quando as construtoras puderam reabrir seus stands, o ritmo de vendas e novos lançamentos acelerou e veio demonstrando crescimento até o final do ano passado.

Foi um período excelente para construtoras e incorporadoras, que puderam apresentar novos projetos para o mercado.

Já em 2021, o ano foi desafiador por conta do aumento de custos dos materiais, entre eles o aço, cimento e produtos de acabamento em geral, mas por outro lado os juros baixos ajudaram ao setor a incorporar estes aumentos, sem necessidade de reajustes.

Terminamos o ano com a SELIC em dois dígitos e subindo em um ritmo crescente com perspectivas de atingir 12,75%, conforme declarações do presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, o mercado já começa a sentir o impacto em suas vendas.

A Secovi já apresentou uma perspectiva de queda tanto no número de vendas, como no número de novos lançamentos para este ano. A expectativa é alcançar vendas entre 55mil a 60mil unidades, com lançamentos entre 65mil e 70mil unidades. Para o mercado agora é a hora de desovar os estoques.

Já o índice Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção) de fevereiro, último dado disponível, mostra queda de 10,4% no faturamento deflacionado na comparação com o mesmo mês de 2021 e o termômetro do setor aponta um otimismo moderado por parte dos empresários.

A Anfacer (Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimentos) acredita que o volume será igual ao entregue ao mercado em 2021, um dos melhores anos do setor e para a SNIC – Sindicato Nacional da Indústria do Cimento, apesar de fevereiro ter apresentado um crescimento de 1,9% em relação a fev/2021, nos dois primeiros meses houve uma queda de 3,5% no acumulado do bimestre.

O mercado aguarda para a 1ª. Quinzena de abril os números das empresas de capital aberto, gerando expectativa entre os investidores. Estima-se que os números não sejam negativos, por conta do reajuste de preços que o mercado realizou no ano passado.

De modo geral, o mercado já sabe que 2022 não será como os anos anteriores, mas também não acredita em uma possível estagnação do setor.

Podemos considerar que será um ano de ajustes, saindo da euforia dos anos anteriores e mais próximo do cenário que teremos para os próximos 05 anos.

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