Mercado

FGV aponta influência do câmbio e demanda nos reajustes

As cotações dos insumos industriais de uma forma geral aumentaram 13% de janeiro a agosto

 Puxados pela demanda da construção civil e outros segmentos que não pararam com a pandemia, e especialmente pelo câmbio, os preços de alguns insumos registraram altas expressivas neste ano. É caso de produtos feitos de aço, papel e plásticos.

De acordo com levantamento feito pelo economista André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), no acumulado de janeiro a agosto, o preço das bobinas a frio de aço carbono deu um salto de 21,19%. Os laminados a frio são utilizados nos setores da construção civil, embalagens e eletroeletrônicos, entre outros.

Tubos e canos de plástico, com alta de 18%, e tubos de conexão de ferro e aço, com avanço de 8,5% também estão na lista dos materiais utilizados na construção e que registram alta expressiva neste ano. O preço do cimento Portland subiu 13,8%.

Braz afirma que, de uma forma geral, as cotações têm sido influenciadas mais pelo câmbio que pela demanda. “A demanda não sustentaria uma escalada de preços na proporção que temos visto. Eu diria que tem mais câmbio que demanda, embora esta tenha que ser considerada também”, afirmou.

O preço do aço é fortemente influenciado pela cotação de sua matéria-prima principal, o minério de ferro, cujo preço é formado no mercado internacional. Só em agosto este insumo subiu 17%, segundo o Ibre-FGV. Com a retomada da construção civil, considerada atividade essencial durante a pandemia, as siderúrgicas estão reajustando o valor do aço.

No caso dos materiais plásticos, com valores também influenciados pelo dólar, houve escassez de oferta de resinas no mercado interno e, no caso do PVC, no mercado externo, o que, aliado a um incremento na demanda doméstica e um câmbio depreciado, encareceu esses itens.

Fora da construção, materiais para embalagens – mais demandadas pelas mudanças de hábitos na pandemia – também subiram de preço. É o caso de latas de alumínio (13,48%), papel para embalagem (6,59%) e caixas de papel cartão (6,3%). O preço da celulose, formado no exterior, cresceu 24,6% neste ano.

Ainda segundo os dados da Getulio Vargas, as cotações dos insumos industriais de uma forma geral aumentaram 13% de janeiro a agosto, e continuam a apontar alta em setembro. Na primeira prévia do IGP-M deste mês, a alta no acumulado do ano já atingiu os 18%.

Segundo Braz, puxado pelo minério de ferro, que subiu 20%, o Índice de Preços ao Produtor (IPA) subiu 6,14%, na maior alta do índice desde julho de 1994. Essa inflação do atacado também tem sido pressionada por itens agrícolas, como a soja, que viu a demanda externa subir após a pandemia. Com um câmbio que estimula a exportação, aumento dos preços em reais desses produtos.

Fonte: Valor Econômico (16/09/20)

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