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Compra de cimento demanda conhecimento sobre propriedades e especificações

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Todos os tipos de cimento servem para uso geral, entretanto, alguns são mais adequados para usos específicos, conforme resistência e durabilidade desejadas.

Aparentemente simples, a compra de cimento exige que o profissional conheça bem os seus tipos, especificações e propriedades para obter o melhor resultado possível na aplicação que tem em vista. Arnaldo Battagin, especialista em cimento e concreto da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) explica que há tempos havia no Brasil, praticamente, um único tipo, mas que com a evolução dos conhecimentos tecnológicos foram desenvolvidos novos produtos. “A maioria serve para uso geral. Alguns deles, entretanto, são mais adequados para determinados usos, permitindo que se obtenha um concreto ou uma argamassa com resistência e durabilidade previstas no projeto”, afirma.

Normatização

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CP-I e CP-II, tipos de cimento para uso geral. Créditos: Divulgação.

 Os cimentos de qualidade são os que obedecem às normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), constituindo o critério básico que os organismos de certificação adotam para qualificar esses produtos. Battagin orienta que os cimentos CP-I e CP-II são para uso geral, ao passo que o CP-III, CP-IV e ARI comportam-se melhor em situações específicas.

As principais vantagens dos cimentos portland de alto-forno (CP-III) e pozolânicos (CP-IV) estão relacionadas à maior estabilidade, durabilidade e impermeabilidade que conferem ao concreto; menor calor de hidratação; maior resistência ao ataque por sulfatos; maior resistência à compressão em idades mais avançadas; maior resistência à tração e à flexão, e melhor ou igual durabilidade.

Cimentos CP-III e CP-IV; onde usar:

  • Obras de concreto-massa, como barragens e peças de grandes dimensões, fundações de máquinas, pilares;
  • Obras em contato com ambientes agressivos por sulfatos e terrenos salinos;
  • Tubos e canaletas para condução de líquidos agressivos, como esgotos ou efluentes industriais;
  • Concretos com agregados reativos, pois esses cimentos concorrem para minimizar os efeitos expansivos da reação álcali-agregado;
  • Pilares de pontes ou obras submersas em contato com águas correntes puras;
  • Obras nas zonas costeiras ou em água do mar;
  • Pavimentação de estradas e pistas de aeroportos.

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Uso de CP-III e CP-IV, em pavimentação de pistas de aeroportos. Crédito: Divulgação.

Nos grandes centros urbanos, os tipos CP-III e CP-IV são usados nas edificações por sua proteção contra a chuva ácida, fuligem dos automóveis e das fábricas, e águas contaminadas de rios e córregos.

Já o cimento ARI (CP V) é mais adequado a aplicações onde o requisito de elevada resistência às primeiras idades é fundamental, como na indústria de pré-moldados. No entanto, apesar de garantir um crescimento acelerado de resistência nos primeiros dias, há um decréscimo na velocidade desse crescimento, tendendo a valores finais próximos aos obtidos para os demais tipos de cimento a idades avançadas.

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CP-III e CP-IV, indicados para edificações. Créditos: Bruno Santos/ Divulgação.

Como comprar

Para comprar o cimento, além da escolha do tipo para cada situação, o comprador precisa ficar atento ao prazo de validade que é de, no máximo, três meses e deve estar impresso em local visível na sacaria. Após esse tempo, o cimento pode começar a absorver umidade. Além da validade, há outros aspectos a serem considerados.

Qualidade – Battagim lembra que os cimentos de boa qualidade são os que obedecem às prescrições normativas da ABNT (ver quadro), constituindo o critério básico que os organismos de certificação adotam para qualificar esses produtos. Portanto, orienta que os melhores são os certificados pelo Selo de Qualidade da ABCP ou de qualquer outro órgão que possa comprovar sua procedência. “Caso não haja selo, o cliente deve pedir ao revendedor o laudo técnico com os ensaios. É um direito do consumidor e um dever do lojista, de acordo com o Código Brasileiro do Consumidor”, afirma.

Setor

De acordo com Battagin, o setor é formado por 14 grupos com 81 fábricas de cimento sendo que destas, 95% estão em conformidade com os Programas Setoriais de Qualidade (PSQs). “O processo de fabricação do cimento é uma atividade industrial complexa, que exige rigoroso controle de qualidade em todas as etapas de fabricação”, diz. O especialista ressalta, ainda, que a indústria brasileira é eficiente no quesito sustentabilidade. O cimento, segundo ele, deixou de ser o grande vilão do meio ambiente. “Trabalhamos com eficiência energética, destruição de resíduos, baixa emissão de CO² e servimos de exemplo para indústrias de todo o mundo”, afirma.

Fonte: AeC Web.

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