Negócios

Como está o caixa das empresas abertas para sobreviver à pandemia

Cerca de 23,3% das companhias teriam caixa negativo após o primeiro mês sem receitas.

Com o fechamento do comércio e de outros negócios durante a quarentena provocada pelo novo coronavírus, uma discussão constante tem sido o impacto dessas medidas na economia e nas empresas.

Em uma simulação, o Centro de Estudos de Mercado de Capitais da Fipe (Cemec-Fipe) observou que pouco mais da metade das companhias abertas brasileiras sobreviveria até o terceiro mês sem receita, mas mantendo pagamentos a fornecedores e obrigações financeiras como salários e aluguéis.

Foram analisadas 245 companhias abertas na bolsa de valores que já divulgaram os resultados completos do ano de 2019.

Cerca de 23,3%, ou 57 das companhias, já teria caixa negativo após o primeiro mês sem receitas. Ao fim do segundo mês, 91, ou 37,1%, já estariam com caixa negativo. O terceiro mês sem receitas já levaria 119, ou 48,6% das empresas, a fechar o mês no vermelho. As outras 51,4% se manteriam com o caixa positivo.

Alguns setores são mais sensíveis do que outros. Setores que, ao final do primeiro mês sem receitas fechariam no vermelho são os de automóveis e motocicletas, construção e engenharia, embalagens, materiais diversos e químicos. Ao final do terceiro mês, 17 setores, ou 48,6% do total, já estariam operando com caixa negativo, na média das empresas.

A simulação é feita levando em consideração o caixa da empresa no final de dezembro de 2019, média das despesas, o valor a pagar a fornecedores e o tempo médio de pagamento a eles.

A pesquisa considera que as empresas permaneceriam completamente paradas nesse período, sem novas receitas e também sem comprar novos itens de fornecedores. Considera ainda que essas empresas renegociariam todas as suas dívidas financeiras e juros.

De uma crise para outra

Segundo IBGE em 2016 46.322 empresas fecharem as portas. Créditos: Divulgação.

 A pandemia do coronavírus atinge as empresas num momento em que elas estão se recuperando da crise econômica que começou em 2016. Embora o PIB não tenha se acelerado muito, a rentabilidade das empresas mostrou uma recuperação forte, diz Carlos Antonio Rocca, coordenador do Cemec-Fipe.

“Do ponto de vista de endividamento e alavancagem [relação entre dívida líquida e receitas], as empresas terminaram 2019 de forma muito mais confortável”, afirma. Além de ter reformulado o endividamento, as empresas também estavam segurando investimentos. Por isso, estavam com um caixa na empresa na média ou superior à média dos últimos anos.

Cenário real

No início de março, empresas com ações na bolsa de valores tiveram perdas de R$ 431 bilhões. Créditos: Divulgação.

Como a simulação olha apenas para parte das empresas abertas, não reflete toda a realidade empresarial brasileira.

Segundo Rocca, as empresas com capital aberto em bolsa estão entre as maiores e mais fortes do país. Elas têm balanços mais auditados e acompanhados de perto por investidores e precisam demonstrar transparência e governança. As companhias abertas também têm uma disponibilidade maior de capital para financiar suas operações.

“Nosso levantamento mostra que uma paralisação de vendas tem um impacto muito forte mesmo para empresas grandes, nesse prazo curto”, afirma o economista.

Empresas fechadas, familiares ou pequenos negócios têm uma situação de caixa muito mais delicada, diz Rocca, mas esses dados não estão disponíveis tão facilmente. De acordo com dados do Serasa, 6,2 milhões de micro e pequenas empresas já estavam inadimplentes em janeiro, alta de quase 10% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Os primeiros dias de restrição à circulação de pessoas e isolamento social, em decorrência do coronavírus, já atingem o equilíbrio financeiro das empresas e ameaça a sobrevivência de milhões de pequenos negócios no país.

Segundo pesquisa feita pelo Sebrae, 89% das micro e pequenas empresas brasileiras já observam queda em seu faturamento. E 36% dos empreendedores afirmam que precisarão fechar o negócio permanentemente, em um mês, caso as restrições adotadas até agora permaneçam por mais tempo.

A pesquisa, feita entre os dias 20 e 23 de março, junto com um universo de 9.105 donos de pequenos negócios, revelou que, na média, a redução no faturamento das empresas foi de 69%. Os empresários ouvidos pelo Sebrae ressaltam que, mesmo adotando uma estratégia de venda online, o faturamento anual do negócio sofreria queda de 74%, caso as políticas de isolamento social sejam mantidas por um período de dois meses.

Fonte:  Exame Abril

 

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