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A engenharia no gelo de Pequim

Pequim

No último mês tivemos a realização dos Jogos Olímpicos de Pequim. Dezenas de atletas participaram, buscando vencer todos os obstáculos. E a engenharia provou que é capaz de construir o impossível até mesmo no gelo.

A missão era transformar o famoso “Cubo d’água” , o conjunto de piscinas que consagrou Michael Phelps, em um “Cubo de Gelo” para receber as competições de curling.

Se num primeiro olhar parece fácil, o feito precisou de muito planejamento. As placas congeladas criadas para competições de elite como as Olimpíadas são produto de um processo detalhado, comandado por uma equipe de especialistas que precisam atender à demanda muito específica de garantir que uma pedra pesada, ajudada por atletas que varrem furiosamente o gelo diante dela, deslize graciosamente por uma pista.

O desafio.

Um primeiro desafio foi construir uma infraestrutura que sustentasse o gelo. A piscina foi ocupada por um sistema de andaimes, encimados por uma camada de concreto.

Em seguida veio o gelo – e um obstáculo inicial. A  água comum usada no cubo tinha uma leitura de 375 partes por milhão de sólidos dissolvidos, como sais, minerais e íons. Essa quantidade é aceitável para a água potável, mas, quando a água é congelada, não serve para o curling. As impurezas afetam a capacidade de criar placas de gelo tão lisas quanto necessário.

A equipe de construção usou sistemas de filtragem para purificar a água. Mas quando o processo terminou, ela era pura demais para consumo humano e caso uma pessoa bebesse correria o risco de sofrer queimaduras internas.

Em ambientes abertos, a água congela de cima para baixo, criando uma superfície altamente inconsistente. Em ambientes fechados é preciso conduzir o processo muito e permitir que a água congele de baixo para cima.

Quando as camadas superiores estavam congeladas, tinta branca, marcas e logotipos foram acrescentados. No total, o gelo tem 10 centímetros de espessura.

O obstáculo seguinte foi o ar. O edifício era seco demais e por isso a equipe instalou um sistema de umidificadores que liberam uma névoa constante em torno da pista de gelo. Mas isso não foi suficiente. E a solução encontrada foi simples: encher uma piscina menor, não muito distante do gelo, com água quente.

Mesmo depois que o gelo está congelado de acordo com suas especificações, os técnicos continuaram a se preocupar com os detalhes, monitorando o gelo e a atmosfera ao seu redor em nível granular: quente demais, fria demais, úmida demais, úmida de menos, textura insuficiente para que a pedra deslize. Qualquer desvio pode ter impacto desproporcional sobre a competição.

Horas de dedicação e muita engenharia para o sucesso do evento!

Quer ver como este trabalho aconteceu?

https://youtu.be/GHFeCo4UpLw00

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